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segunda-feira, 13 de abril de 2020

O Dia Em Que Ele Escreveu Um Poema Chamado, Amor Transcendental, Para Mim

O Dia Em Que Ele Escreveu Um Poema Chamado, Amor Transcendental ,Para mim
Era o primeiro semestre de 2002. Naquela época eu frequentava um curso aberto para a comunidade que ficava num laboratório de Informática numa faculdade. Então prometi ensinar noções de Internet para um amigo carente. Ele tinha uma beleza diferente: olhos azuis cor de turquesa, cavanhaque estilo cantor de Rock de Seatlle, cabelos loiros e compridos. A beleza dele era tão marcante que apelidei meu colega de Girassol.
Aquele dia, ele chegou sorridente com uma camisa xadrez lembrando o cantor Kurt Cobain da banda Nirvana. Confesso que apenas o cheiro dele me irritava porque o Girassol usava um desodorante chamado Avanço, que fedia à desinfetante de banheiro de escola. Naquela tarde, só havia uma pessoa na sala, sem nenhuma monitora ou professora presentes. Então ele se aproximou de mim e sentou-se, levemente, no meu colo. Deste jeito confessou:
- Você sabe que fiz vários poemas para a Letícia, que não me quis. Mas, a partir de hoje, só quero fazer poemas para você. Agora escreverei uma Poesia chamada Amor Transcendental.
Então, eu disse:
- Cuidado com o que diz, pois amor transcendental é para sempre. A sua pessoa afirma que não quer nada sério com ninguém e que não sirvo para você. Porém, um dia você viajará para várias cidades e namorará muitas mulheres. Mas quando estiver velho e doente, voltará para Curitiba e o destino fará com que a gente se reencontre novamente.
O moço não ligou, apenas olhou para mim, pegou a caneta e escreveu como se estivesse em outro planeta. Ele me olhava e escrevia ao mesmo tempo. Nunca vi alguém fazer isto. Depois este mesmo homem disse:
- Colocarei este poema numa antologia para me lembrar de você para sempre.
Eu completei:
- Cuidado com o que fala novamente!
- Pois se este poema parar num livro, eu nunca deixarei de amar a sua pessoa e antes de morrer, na velhice, a gente vai se reencontrar.
O Girassol sorriu e disse:
- A minha namorada inesquecível foi uma moça com quem tive noites alucinantes no Nordeste. Nenhuma se comparará a ela.
Eu contestei:
- Tenho certeza de que com esta mulher você apenas teve transas maravilhosas. Pois, saiba que amor é algo bem diferente...
- Agora, quero ver o poema!
Assim o Girassol mostrou o texto que fez para mim. Eu fiquei encantada.
O tempo passou, ele foi para longe em 2003. Na vida real, o moço teve várias namoradas. Em 2016, o Girassol voltou para Curitiba, mas não quis me ver por causa de intrigas e fofocas de terceiros.
Soube que ele botou o poema, Amor Transcendental, numa antologia, em 2002, antes de cair no mundo. Porém, nunca tive este livro nas mãos.
Prezados leitores, se um dia o poema que o Girassol fez para mim em 2002 cair em minhas mãos, novamente, eu postarei aqui para a apreciação de todos vocês.
Mas nunca se esqueçam de que amor transcendental é para toda a eternidade mesmo que fique só entre sonhos e fantasias.
Luciana do Rocio Mallon





segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O Porquê Sou Vidrada em Histórias Onde Casais Se Conhecem na Adolescência, Se Desencontram e Se Reencontram Anos Depois


O Porquê Sou Vidrada em Histórias Onde Casais Se Conhecem na Adolescência, Se Desencontram e Se Reencontram Anos Depois
Estamos em 2018, uma época onde, infelizmente, as pessoas tratam sexo como se fosse um deus. Por isto sou taxada de louca e maluca ao falar que sinto um amor platônico, desde 2002, e que não vejo meu amado desde aquela época, apesar dele ter voltado para a cidade onde moro em 2016.
Desde minha tenra infância escuto muitas pessoas falarem que nunca me casarei porque sou muito feia. Quando eu era menina me enchiam o saco por causa do nariz comprido e na adolescência faziam bullying por causa da minha obesidade naquele tempo.
Em 1979, quando eu tinha cinco anos, peguei meningite e fui hospitalizada num hospital infantil. Lá havia duas enfermeiras que me contavam histórias. A loira me falava causos de terror e a morena narrava romances.
Quando a morena entrou no meu quarto, indagou:
 - Você gosta de histórias de amor?
Respondi:
- Gosto desde que o príncipe não beije a princesa e nem case com ela no final. Pois eu queria ouvir um conto em que os dois se conhecem na infância e se afastam. Mas se reencontram na idade adulta. Mas, por mim, eles nem precisam casar no último capítulo.
Assim ela disse:
- Deste jeito contarei um resumo do livro chamado A Moreninha do autor Joaquim Manuel de Macedo.
Então a enfermeira me contou a história, que falava de um menino e de uma menina que se conheceram numa praia, se afastaram, cresceram e voltaram a se reencontrar na fase adulta.
Depois ela narrou a Fábula da Leiteira e o Pastor, que era a  história de uma menina leiteira com uma marca de nascença no braço, da Idade Média, que gostava de um pastor jovem. Mas a mãe do menino faleceu e os avós levaram o pequeno para outro reino. Porém, o tempo passou, os dois reinos entraram em guerra. Mas antes de um soldado matar uma moça do reino rival, viu que ela tinha uma marca de nascença no braço, se lembrou da antiga amiga leiteira e os dois se reconheceram. Porém a moça estava com peste negra e morreu nos braços do amado.
Assim eu falei em voz alta:
- Quando crescer, não me casarei. Pois conhecerei uma pessoa, na minha juventude, que mudará de cidade. Mas anos depois voltará ao mesmo local e terá uma história de amor comigo, nem que eu morra no final!
Cresci sonhando com um romance assim.
Na idade adulta procurei uma explicação espiritual para saber o porquê de tanta vontade de sentir um amor assim e não aceitar outro tipo de desejo. Descobri que isto talvez seja algo genético. Pois na Idade Média, apesar do puritanismo, era comum as mulheres se apaixonarem logo na adolescência. Mas terem que ver seus amados partirem para guerras e voltarem dez, quinze anos depois, etc. Talvez isto esteja impregnado no meu sangue e no meu DNA.
Até que em 2002, conheci um moço num grupo de poetas da vida real. Assim começamos a namorar e ele me via todos os dias. Até que o moço se mudou para sua cidade natal, sem me falar nada.
Em 2016, ele voltou para Curitiba, cidade onde moro. Mas não quis me ver por causa de fofocas.
Eu sei que ele vende rosas na rua e um dia a gente vai se reencontrar. Não peço para que ele namore comigo e muito menos case com a minha pessoa. Pois a fantasia de viver um amor, que ficou no passado da minha juventude, é algo só meu e faz parte da minha alma. Afinal sei que ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Apenas queria saber como ele está e quais foram as cenas que viveu. Porém parece que a pessoa me vê como se eu fosse um monstro, um dragão prestes a colocar fogo em tudo.
Porém sou apenas a mesma garota, do passado, querendo viver um amor platônico. Pois sei que não posso namorar e nem se casar, na vida real, porque tenho uma missão mais profunda a cumprir.
Nunca me entreguei de forma carnal a homem nenhum. Por isto sei que o amor platônico é um direito legítimo que tenho. Pois não há lei que me impeça de sonhar.
Luciana do Rocio Mallon