Lenda do
Quadro de Animais Domésticos do Castelo do Pintor
Esse causo
faz parte de uma série de lendas do castelo de um pintor falecido aqui de
Curitiba. Esses causos aconteceram com uma amiga, que me autorizou a contar nas
redes. Mas para manter a privacidade dela, no texto chamaremos a moça de
Michele.
Em 1988,
Dolores comprou um casarão construído no final do século dezenove, que
pertenceu a um pintor, no bairro chamado Cabral em Curitiba. Ela tinha uma
filha adolescente chamada Michele que não queria se mudar para a mansão
afirmando ter medo de casas antigas. Mas, mesmo assim, a filha veio junto com
ela. A mulher comprou a casa quase mobiliada e no porão tinham quadros. A filha
escolheu um quarto dos fundos com escrivaninha, cama e ao lado dessa mesma cama
tinha um quadro com três bichos pintados: um gato preto, um cachorro da raça Golden
e um papagaio brincando no quintal daquele mesmo casarão.
Na primeira
semana, Michele passou a escutar latidos de cão embaixo da sua janela, mas
quando abria, a mesma janela, não via cachorro nenhum. Assim pensava que
deveria ser algum animal da vizinhança. Na semana seguinte sempre pela noite, a
garota passou a escutar barulhos de patas, no corredor, com miados de gato e
teve a sensação que um gato sentava sobre a ela, enquanto ela estava dormindo.
Porém quinze dias depois, ela começou ouvir voz de papagaio mesmo durante o dia.
O papagaio gostava de falar as frases:
- Pintor
Paulo, quero café e um cafuné.
- Eu não
morri e o pintor também.
Porém como
na frente da casa tinha uma academia de Artes e Música, Michele foi verificar
os preços das aulas. Assim conversou com a dona do local e se apresentou como filha
da nova proprietária do castelo do pintor em frente. Então a adolescente
perguntou à dona:
- Por acaso
sabe se o falecido pintor tinha animais de estimação?
A dona da
academia respondeu:
- Ele tinha,
mas morreram todos. Primeiro, ele possuía um gato preto que está enterrado no
quintal. Depois ele teve uma cadela da raça Golden que foi atropelada nessa
mesma rua e após isso ele adotou um papagaio que sumiu misteriosamente. As
vezes tenho a impressão de ver os três rondando a minha academia pela noite, já
que moro atrás do estabelecimento na edícula dos fundos. Reza a lenda que todas
as criaturas que eram pintadas, pelo pintor Paulo, nunca morrem.
Naquele
mesmo dia, Michele resolveu doar o quadro com os animais para uma moça de
carrinho de papel que passava em frente ao casarão. A partir daquele dia, a
garota disse que nunca mais escutou sons de animais no castelo do falecido
pintor. Porém ela afirmou presenciar outros fenômenos sobrenaturais que
contarei nas redes mais tarde.
Luciana do
Rocio Mallon