Outubro, Mês do Escritor Fernando
Sabino
Meu nome é Luciana do Rocio Mallon,
sou professora de Literatura, escritora e admiradora da obra de Fernando
Sabino.
O mês de outubro é considerado por
muitos professores o mês do autor, Fernando Sabino, porque ele nasceu em 12 de
outubro de 1923 e faleceu 11 de outubro de 2004.
O escritor, Fernando Sabino, conquista
o leitor porque usa vocabulário do dia-a-dia, simples, com humor inteligente e
sensibilidade. Ele também usa recursos como intertextualidade, que é quando um
texto dialoga ou é inspirado em obras já existentes e metalinguagem, quando o
livro critica e comenta sobre a Arte de escrever.
Na sua obra chamada, Encontro Marcado,
o protagonista Eduardo Marciano sonha em ser escritor e faz reflexões
existencialistas, mas é consumido pelos vícios. O segundo nome dele é Marciano
e muitas vezes eles se sente um extraterrestre no mundo, como não fosse desse
planeta. Na obra, Encontro Marcado, temos uma técnica chamada Metalinguagem,
quando uma obra questiona a Arte de escrever.
O livro é dividido entre duas partes
principais: A Procura e o Encontro.
No início do livro Eduardo e dois
amigos de escola marcam um reencontro para anos depois.
Isso prende a atenção do leitor.
Afinal, quem nunca falou entre seus
amigos de escola coisas como:
- Podemos nos encontrar daqui uns
anos?
- Vamos marcar uma reunião daqui há 20
anos?
Mas, na obra, o principal encontro não
é de Eduardo com seus colegas, mas dele mesmo com o inconsciente.
Encontro Marcado é considerado um
livro de Bildungsroman, porque acompanha o protagonista da infância até a idade
adulta.
Já no livro, O Grande Mentecapto,
temos a figura do anti-herói, o título já mostra isso, pois a palavra
mentecapto, naquela época, significava louco ou doidivanas. Pois o protagonista,
José Geraldo, não é um herói certinho e muito menos perfeito. Aliás, ele até
lembra o Dom Quixote. O apelido Viramundo foi dado por um mendigo cego, porém
ajuizado, que deu esse apelido quando o protagonista falou que desejava
conhecer o mundo. No começo Geraldo, ainda criança, faz uma aposta em que tenta
fazer um trem parar nos trilho. Assim ele fica na linha e consegue parar o
trem. Porém, por causa desse mau exemplo, seu amigo, um afrodescendente mais
novo também tenta parar o trem, mas morre.
O interessante é que ele começa
trabalhando como pedreiro, como a maioria dos jovens de classe humilde daquela
época.
Tem um capítulo em que as pessoas
querem linchar uma viúva alegre que dizia conversar com o marido morto. O
curioso é que no começo os moralistas não querem agredir a viúva por ser namoradeira,
mas, por ser considerada bruxa e conversar com o marido morto. O fato dela ser
namoradeira é desculpa que usam para agredir a pobre fisicamente. Mas Geraldo
não deixa porque age igual Jesus defendendo Maria Madalena como ocorre em
alguns textos religiosos. Pois o protagonista exclama:
- Quem não tiver pecado que atire a
primeira pedra!
O problema é que aqui o protagonista é
agredido pela população.
Aliás, ele lembra outro anti-herói,
pícaro da Literatura Espanhola que é o Lazarillo de Tormes, que tem traços
neurodivergentes misturados com uma malandragem ingênua apesar de não ser o
vilão. Porém, também não é o herói típico cheio de virtudes.
Aqui o apelido dele, Viramundo, tem um
toque de humor. Pois o protagonista é realmente virado da cabeça e viaja por
várias cidades de Minas Gerais. Os apelidos de alguns personagens são engraçados,
como exemplos: Peidolina, a viúva fogosa.
Assim como Lazarillo de Tormes,
Geraldo tenta várias profissões, como: pedreiro, seminarista, morador de rua,
comerciante, militar e político.
A parte mais interessante é quando ele
vira andarilho, pois no meio da rua, Geraldo Viramundo se apaixona por Marília,
filha do governador. Seus amigos ao saberem disso escrevem cartas falsas ou
seja fazem perfil fake, como se fossem Marília. Isso prova que perfis fakes
existiam desde aquela época só que através de cartas. Aqui o autor faz
intertextualidade com a obra Marília de Dirceu de Tomás Antônio Gonzaga.
Uma outra cena engraçada é quando o
protagonista está num baile, tem dor de barriga, mas todos os banheiros estão
ocupados. Então, ele faz as necessidades no tubo do ventilador que acaba
espalhando fezes no salão da festa. Aqui há intertextualidade com a famosa
expressão popular: “Espalhar fezes no ventilador.”
A parte em que o protagonista está num
jardim de rosas lembra a cena de Alice no País das Maravilhas, onde ela está
perdida num jardim de rosas. Aqui fica bem claro a Intertextualidade com a obra
Alice no País das Maravilhas.
Tem uma parte que ele corta as rosas
com um mendigo e vai parar num manicômio. Ele se disfarça de médico e vai
embora. Aqui é uma forma de denunciar os maus tratos em hospitais psiquiátricos
da época.
O livro termina com o personagem
principal sendo morto espancado aos 33 anos como se fosse um avesso de Jesus
Cristo.
Já a obra, O Menino no Espelho, faz
intertextualidade com a obra Alice Através Espelho. Pois o personagem,
Fernando, ao se olhar no espelho encontra seu outro eu que passa a se chamar,
Odnanref, que é Fernando o contrário. Assim quem assume as tarefas chatas é o
Odnanref e o Fernando fica só com as partes boas.
Por tudo isso recomendo a leitura das
obras de Fernando Sabino.
Luciana do Rocio Mallon
#fernandosabino