Lenda do
Fantasma do Conde Abel, o Poeta da Cartola, do Ahú
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon e sou autora do livro Lendas Curitibanas. Já contei
várias lendas sobre o presídio do Ahú e hoje relato a lenda de um conde artista
que ficou preso lá.
Na Curitiba,
do início do século vinte, existia um poeta, jornalista e pianista chamado Abel
Hamvultando. Naquele tempo a Monarquia já tinha acabado, mas várias pessoas
insistiam em chamar esse poeta de conde. Aliás, ele era excelente escritor e
foi elogiado até pela professora, Mariana Coelho, competente escritora
feminista. Além disso, Abel foi amigo do costureiro Kiko, aquele mesmo de uma
outra lenda em que esse próprio alfaiate reapareceu como gato cem anos depois.
Bem, outras características interessantes de Abel é que também era um virtuoso
músico e gostava de usar cartola.
Em 1900, ele
matou um imigrante italiano chamado, Giovani também conhecido pelo apelido,
Joãzinho Italiano, numa briga e por isso em 1909, Abel foi para a prisão do
presídio do Ahú. Lá, ele passou a denunciar as condições do lugar escrevendo
para jornais através de pseudônimos. Porém, um acessório que ele não dispensava,
mesmo na clausura, era a cartola.
Reza a lenda
que, naquela época, trouxeram o piano de Abel e colocaram o instrumento no
porão. Pois, às vezes, ele era liberado para tocar piano nas profundezas do
presídio.
Muitos anos
se passaram e Abel faleceu.
Porém, durante
a década de 1950, surgiram boatos de que pessoas passaram a escutar músicas ao
piano e o som vinha dos misteriosos porões da penitenciária. Além disso,
detentos passaram a ver um homem com roupas antigas e cartola andando pelos
corredores. Alguns até escutaram esse mesmo rapaz misterioso declamando poemas.
Esses relatos duraram até 2006, quando presídio foi desativado e até hoje dizem
que era o espírito de Abel que tocava piano, declamava poemas e andava de
cartola pelos corredores.
Por
curiosidade, entre 1993 e 1994, foi gravada a novela chamada, Sonho Meu, em
Curitiba. Algumas cenas, duas ou três, foram gravadas no presídio do Ahú e
profissionais da equipe afirmaram que viram um rapaz misterioso com roupas de
época e cartola andando pelos corredores.
Luciana do
Rocio Mallon
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