A Dança do século
XIX chamada, Curitibano, quando era dançada em grupo envolvia batalhas de rimas
e poemas de amor. Um real exemplo da união da Dança Com a Literatura.
Luciana do
Rocio Mallon
Texto de Luciana do Rocio Mallon.
A Dança do século
XIX chamada, Curitibano, quando era dançada em grupo envolvia batalhas de rimas
e poemas de amor. Um real exemplo da união da Dança Com a Literatura.
Luciana do
Rocio Mallon
Dança da
Colheita do Pinhão da Época em Que Curitiba Tinha o Nome de Vila Nossa Senhora
da Luz
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon, sou professora de Folclore e estou pesquisando sobre
as Danças de Curitiba de antigamente. Já falei, nas redes, sobre as Danças das
Lavadeiras do Rio Atuba, a Dança da Quirera, a Dança Chamada Curitibano, as
Danças das Esposas dos Tropeiros e agora falarei sobre a Dança da Colheita do
Pinhão.
O nome,
Curitiba, tem tudo a ver com o pinhão que é a semente da Araucária. Pois o
nome, Curitiba, vem do tupi-guarani porque é a união da palavra, “kury”, que
significa pinhão e pinheiro junto com a palavra, “tiba”, que significa grande
quantidade e abundância. Então a tradução fica: lugar que tem muito pinheiro e
pinhão.
Reza a lenda
que um indígena apontou para o marco zero da cidade e gritou a palavra:
- Kury tiba!
A verdade é
que bem antes de Curitiba se chamar Vila Nossa Senhora da Luz e muito antes da
colonização, do Brasil, pelos portugueses, nessa terra existiam os indígenas
que já consumiam o pinhão e faziam danças em rituais para reverenciar esse
alimento, que para eles, tinha poderes mágicos.
Com a
chegada de novos povos como: brancos, afros e ciganos, aconteceu uma mistura
fantástica de tradições.
Assim,
quando Curitiba ainda se chamava, Vila de Nossa Senhora da Luz surgiu a Dança
da Colheita do Pinhão.
A colheita,
geralmente, acontecia em meados de abril até meados de julho.
Mas a Dança
da Colheita do Pinhão tinha seu ápice em junho.
A
coreografia tem raiz num ritual tupi-guarani de saudação à deusa da agricultura
Ceuci que se misturou com algumas danças portuguesas na terra dos pinheirais. O
bailado consiste em mulheres, de saias compridas e rodadas, dançando com cestos
ou balaios repletos de pinhões. No meio da Dança elas deixam os balaios no chão
e fazem gestos de reverência às sementes de araucária. Nesse momento, aparece
uma pessoa vestida com penas azuis representando a gralha-azul, a ave que
espalha sementes de araucárias, fazendo gestos que representam asas. No final
da Dança, as bailarinas da colheita colocam os pinhões em cima de amontoados de
folhas secas chamadas de grimpas ou sapés. Depois pessoas da comunidade fazem
fogueiras para assar esses pinhões nesses mesmos sapés ou grimpas. Após isso os
pinhões são retirados das brasas, com espetos longos e consumidos. Pois desse
jeito, o pinhão fica com a casca torrada e o interior cozido, prática que deixa
o alimento crocante e saboroso. Dessa maneira esse prato foi batizado de
sapecada de pinhão.
No século
dezenove, a Dança da Colheita do Pinhão, foi incorporada às festas juninas. Mas
sua prática desapareceu porque o povo preferiu dançar somente quadrilha durante
os festejos de junho.
Porém estou
pesquisando as danças tradicionais de Curitiba de antigamente e pude concluir
que a Dança da Colheita do pinhão tem uma história tão interessante que precisa
ser novamente praticada pelas pessoas desse lugar.
Luciana do
Rocio Mallon
#lucianadorociomallon
#dança
#dançadacolheitadopinhão
Danças das
Esposas dos Tropeiros
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon, sou professora de Folclore e estou pesquisando sobre
as Danças de Curitiba de antigamente. Já falei, nas redes, sobre as Danças das
Lavadeiras do Rio Atuba, a Dança da Quirera, a Dança Chamada Curitibano e agora
falarei sobre as Danças das Esposas dos Tropeiros.
Os tropeiros
eram trabalhadores, principalmente entre os séculos dezessete e dezenove, que
exerciam as funções de transportar tropas de animais como cavalos e mulas. Além
disso, eles também transportavam mercadorias.
Assim as
esposas dos tropeiros passavam meses sem ver os maridos. Para expressar essa
saudade, essas mulheres criaram, de forma espontânea, as Danças das Esposas dos
Tropeiros quando Curitiba ainda se chamava Vila de Nossa Senhora da Luz.
Essas danças
se dividem em duas: Dança da Despedida e Dança do Acolhimento.
Dança da
Despedida: as mulheres dançavam balançando lenços pequenos nas mãos. Culturalmente
o ato de balançar panos com as mãos têm significados profundos. Quando uma dama
faz sinal de despedida com o lenço para o amado, significa que ela promete ser
fiel e essa ação, segundo a crendice popular, garante um reencontro posterior.
Pois, segundo o mito, quando alguém balança um lenço para um viajante, está
pedindo para que o anjo da guarda cuide dele. Então nessa dança tem giros com
saias rodadas e lenços nas mãos. Ela pode ser dançada em círculos ou em linha
reta ou de forma linear.
Dança do
Acolhimento: esse bailado acontecia quando os tropeiros estavam voltando para
visitar suas famílias. Então as mulheres dançavam com: cestas de frutas,
instrumentos musicais e flores nas mãos. Pois isso significava acolhimento.
Nessa dança tem giros com saias rodadas, balanços de saias, movimentos com
flores nas mãos e instrumentos musicais como: pandeiros e tambores. Pois
segundo a lenda, os pandeiros serviam para expulsar os espíritos invasores que
podiam pegar caronas com os tropeiros durante as viagens.
Luciana do
Rocio Mallon
#lucianadorociomallon
#dança
#dançadecuritiba
Dança da
Quirera da Época Em Que Curitiba Se Chamava Vila Nossa Senhora da Luz
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon, sou professora de Folclore e idealizadora do projeto:
Resgatando Danças Típicas da Curitiba de Antigamente. Já falei nas redes
sociais sobre a Dança chamada Curitibano, que surgiu no século dezenove e sobre
a Dança das Lavadeiras do Rio Atuba que surgiu no período colonial.
Além das Danças
das Lavadeiras do Rio Atuba na época em que Curitiba se chamava Vila Nossa
Senhora da Luz, também surgiu a Dança da Quirera no mesmo período. Ela sofreu
influência das seguintes etnias: indígena, afro, cigana e branca.
Essa dança
pode ser realizada de diversas formas: em grupo, em dupla e até mesmo
individual.
A
coreografia é inspirada nos movimentos dos trabalhos rurais porque representam
gestos de: semeadura, plantio, colheita, culinária e trato com os animais.
Os figurinos
também remetem à vida colonial no campo, pois as mulheres dançam com saias
rodadas, compridas, floridas e com anágua embaixo. Elas também usam sapatos que
permitem sapateados no chão de madeira ou no solo de terra. Também é permitido
dançar com pares de sapatos diferentes, por exemplo: um sapato estilo boneca no
pé esquerdo e uma bota sertaneja no pé direito porque isso era comum na
realidade daquela época.
As músicas
falavam do trabalho no campo e eram tocadas com os seguintes instrumentos:
viola, rabeca, pandeiro, tambor, sinos e, ás vezes, tinha até bandolim.
A Dança da
Quirera, geralmente, acontecia em eventos de comemoração à colheita ou em
alguma festa onde o prato principal era a quirera.
A quirera é
um prato que surgiu no período do Brasil-Colônia. Pois naquela época, nos
sítios, existiam muito milho e criação de suínos. As vezes, por causa do mau
tempo, era difícil cultivar ou criar outro tipo de alimento. Então as pessoas
misturaram milho quebrado com carne de porco e batizaram de quirera. Os
tropeiros e caixeiros viajantes descobriram esse prato pelas viagens ao
interior e adotaram a quirera como culinária principal, pois era possível carregar
essa comida em marmitas. Então quando os agricultores, do período colonial,
eram agraciados com tempo bom e conseguiam cultivar outros alimentos, no final
da colheita, faziam a Festa da Quirera como comemoração, onde nesse evento
havia a Dança da Quirera.
Infelizmente,
no final do século dezenove, com a industrialização, novas tecnologias e o êxodo
rural, a Dança da Quirera foi uma tradição que desapareceu de Curitiba, mas que
estou tentando resgatar através de pesquisas e demonstrações de danças práticas.
Luciana do
Rocio Mallon
#lucianadorociomallon
#quirera
#dançadaquirera
A Dança
Chamada Curitibano
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon e lidero o projeto Resgatando Danças Tradicionais da
Curitiba de Antigamente.
Já relatei
sobre Danças das Lavadeiras do Rio Atuba e Dança da Quirera que surgiram quando
Curitiba ainda se chamava Vila Nossa Senhora da Luz.
Agora
falarei sobre uma dança chamada Curitibano, que surgiu no século dezenove com
influências dos: negros, índios, ciganos e brancos.
A dança,
Curitibano, surgiu nos sítios e chácaras de Curitiba no século dezenove. Ela permite
diversos componentes porque pode ser dançada de várias maneiras como: em par,
em grupos e até mesmo sozinho.
Essa dança
permite até que uma mulher dance sozinha. Pois ela surgiu numa época em que
muitos homens foram buscar trabalhos em cidades distantes e assim deixaram suas
esposas. Também naquele mesmo tempo, muitos homens trabalhavam como caixeiros
viajantes e tropeiros. Assim também deixavam suas mulheres sozinhas em suas
residências.
Então muitas
damas passaram a dançar sozinhas, a Dança Curitibano, em festas e eventos. As
vestimentas típicas desse bailado são: saia florida, rodada, de preferência
estampada com flores e sapato para sapateado. A coreografia consiste em: giros,
balanços com a saia rodada e sapateados.
O problema é
que muita gente confunde a Dança Curitibano com o Fandango Caiçara, mas as
diferenças são nítidas, como estão abaixo:
- Na Dança
Curitibano, a mulher pode dançar sozinha em qualquer formato de espaço. Já no
Fandango Caiçara, o bailado é de par e geralmente num espaço circular.
- Na Dança
Curitibano, a dama pode sapatear. Já, no Fandango Caiçara, quem sapateia é o
homem, pois a mulher só balança a saia.
Infelizmente,
no século vinte com a urbanização, a Dança Curitibano foi uma tradição que se
perdeu com o tempo. Mas que pretendo resgatar através de pesquisas.
Essa
pesquisa foi baseada em entrevistas com: professores de História, pessoas do
povo como várias idosas, que na época da pesquisa, tinham mais de 80 anos de
idade e também através de materiais de época.
Luciana do
Rocio Mallon
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#dançacuritibano
Dança dos
Grampos das Lavadeiras do Rio Atuba
Na época em
que Curitiba se chamava, Vila de Nossa Senhora da Luz, nasceu uma dança
folclórica na cidade chamada Dança das Lavadeiras do Rio Atuba. Elas usavam
muitos elementos como: tecidos, tábua de lavar roupa, escovas, bacias, baldes e
principalmente grampos de prender roupas. Naquela época existiam grampos
grandes que tinham os tamanhos das palmas das mãos e eles faziam sons de
instrumentos de percussão. As lavadeiras, muito criativas, passaram a dançar
com esses grampos como se fossem castanholas. Assim nasceu a Dança dos Grampos
das Lavadeiras do Rio Atuba, onde elas giravam, com suas saias rodadas e batiam
os grampos nos ritmos das músicas.
Focalizadora:
Luciana do Rocio Mallon
Exemplos
práticos:
https://www.youtube.com/shorts/m5-wCUB0Gsg
https://www.youtube.com/shorts/XQPmNE1bz28
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#dançadosgrampos
#dançadecuritiba
Você sabia
que Curitiba, quando era Vila Nossa Senhora da Luz, além da Dança das Lavadeiras
do Rio Atuba, também tinha a Dança da Quirera?
Na Dança da
Quirera, as agricultoras faziam gestos que tinham relação com seus trabalhos
diários. Essa dança acontecia nos eventos onde era servido um prato chamado Quirera.
Acompanhe
minhas redes para saber mais sobre o assunto.
Luciana do
Rocio Mallon – Folclorista
#quirera
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