Lenda da
Diarista Que Limpa Túmulos
Uma
influenciadora que limpa túmulos está fazendo sucesso nas redes sociais.
Trata-se de Stacey Habecker, um moça, bem viva, que faxina túmulos abandonados
em Porto Rico. Logo, esse causo me fez lembrar de uma lenda famosa, aqui no
Brasil, nos anos 70: a Diarista Que Limpa Túmulos.
Em 1970, Ana
ficou viúva e com três filhos para criar. Então, sem parentes próximos, ela foi
obrigada a deixar suas crianças num orfanato. Mas, como ela não tinha estudo, procurou
emprego como diarista. Numa certa tarde de tempestade, cansada de procurar
trabalho e somente ser rejeitada por não ter experiência, ela entrou dentro de
um cemitério, foi até a Cruz das Almas e orou:
- Almas do
purgatório, me ajudem a encontrar emprego, mesmo que seja de diarista de quem
já morreu!
De repente,
ao seu lado surgiu uma moça vestida toda de roxo, com vestido de rainha medieval,
uma parte do seu rosto era mulher e outra parte caveira, que disse:
- Se nas
horas vagas, você limpar os túmulos abandonados, as almas transformarão você em
uma diarista que sempre terá casas para faxinar e ganhará muito dinheiro. Mas,
mesmo que fique rica como diarista, você não poderá deixar de limpar os túmulos
abandonados, principalmente, os mais antigos de séculos atrás.
Assim, no
dia seguinte, Ana pegou seu material de limpeza, foi até o cemitério da cidade
e começou a limpar túmulos abandonados, ela sempre dava preferência aos túmulos
do século dezenove.
A partir
daquele dia, freguesas para suas diárias de faxina começaram a aparecer do nada.
Porém, sempre nas horas vagas, Ana continuava limpando os túmulos abandonados e
antigos.
Num dia de
Sol, a moça viu o túmulo de uma menina cheio de brinquedos velhos e placas com
os seguintes dizeres:
“- Agradeço
a graça alcançada.”
Como os
brinquedos estavam sujos, a diarista recolheu os bonecos para levar para casa,
lavar e depois devolver ao campo-santo. Dentre os bonecos, um chamou a atenção:
era uma boneca, com roupas do século dezenove, com um perfume de jasmim muito
forte. Como ela também estava suja, Ana lavou e tirou todo o aroma do brinquedo.
Assim, no dia seguinte, a diarista levou os brinquedos e devolveu todos, bem
limpos, ao túmulo da menina milagreira.
Porém,
naquela noite, ela sonhou com a garota que exclamou:
- Você não
poderia ter lavado minha boneca preferida, porque ela tinha o perfume preferido
da minha madrinha!
Na semana
seguinte, o orfanato onde os filhos de Ana estavam, pegou fogo e ninguém achou
seus corpos. Ao saber que ninguém achou os restos das suas crianças, a diarista
teve um ataque do coração e faleceu.
Reza a lenda
que até hoje, o espírito de Ana limpa os túmulos e procura, em todos os
cemitérios, os restos mortais de seus filhos.
Luciana do
Rocio Mallon
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