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domingo, 24 de maio de 2020

Não Me Assusto Quando Falam Palavrão Para Mim, Mas Tenho Medo Quando o Palavrão Me Chama

Não Me Assusto Quando Falam Palavrão Para Mim, Mas Tenho Medo Quando o Palavrão Me Chama
Não me assusto quando falam palavrão para mim
Porque o mundo está cheio de gente ruim
Mas tenho medo quando o palavrão me chama
Pois ele é mentiroso e sempre me difama

Na primavera, eu estava no jardim
Numa noite de misteriosa Lua
Mas escutei um som assim:
“- Ei, menina, sua...”

Somente depois eu vi
Que era o bem-te-vi
Junto com o quero-quero
Que estavam levando um lero

Numa madrugada ao relento
Eu passava na rua escura

Com o coração cheio de tormento
E a alma repleta de amargura

De repente, escutei um lamento:
“ – Garota vai tomar...”
Olhei para trás e era apenas o vento
Se despedindo do luar
Com o uivo do momento

Não me assusto quando falam palavrão para mim
Porque o mundo está cheio de gente ruim
Mas tenho medo quando o palavrão me chama
Pois ele é mentiroso e sempre me difama.
Luciana do Rocio Mallon





sábado, 7 de março de 2020

Sou a Guardiã do Umbral

Sou a Guardiã do Umbral
Eu sou a guardiã do Umbral
Triste, doce e amordaçada
Por uma maldição do astral
Por isto nunca serei amada!

Minha roupa é uma capa transparente
Por baixo tenho um baby doll de cetim
Minha pele é fria, não é ardente
Apesar da cor porcelana de marfim

Nas minhas mãos, tenho uma lanterna chinesa
Que ilumina a escuridão dos espíritos perdidos
Flutuo com sutileza com as sapatilhas da delicadeza
Para socorrer os depressivos e aflitos

Mas eu falo com os antepassados e mortos parentes
Pois tenho permissão de entrar nos túneis dos inconscientes

Não posso ser tocada, preciso ser virgem
Para que as portas não percam sua origem

Mas todo o cafajeste que comigo mexer
Irá chorar de amor até amanhecer
Amando qualquer mulher vulgar
Que tem o poder do prazer
Mas que trai sem parar
Seduzindo homem por prazer.
Luciana do Rocio Mallon