terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Como as Mulheres Dançavam Numa Época Em Que Curitiba se Chamava Povoado Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais

Como as Mulheres Dançavam Numa Época Em Que Curitiba se Chamava Povoado Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais
Semana passada, recebi mensagens como:
- Tia Lu, escreva uma matéria falando sobre as danças de Curitiba na época do Brasil-Colônia.
- Como as mulheres dançavam na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais?
Na época do Brasil-Colônia, Curitiba recebeu a influência de várias etnias na Dança: europeia, indígena, afro e cigana.
Naquela época, as mulheres costumavam dançar fazendo seus afazeres domésticos ou na lavoura. Mas nestes casos elas dançavam somente quanto tinham outras mulheres ao seu redor.
Nas festas religiosas, elas apresentavam danças em homenagem a um determinado santo ou a uma data específica. Estas danças eram constituídas somente de mulheres e se chamavam de rodas. Por exemplos: Roda de São Gonzalo, Roda de São Francisco, etc.
Nestas rodas, eram usados elementos como: bandeiras com retratos dos santos homenageados, arcos cobertos de flores, pandeiros, fitas, saias rodadas com anáguas, etc. As mulheres dançavam em rodas que sempre representaram o planeta Terra e a harmonia. As fitas coloridas, pandeiros e saias multicores representavam a alegria das graças alcançadas pelo santo homenageado.
Neste balé existiam movimentos com os braços, passos sincronizados com os pés e giros com saias rodadas. Os instrumentos usados eram violão artesanal e qualquer objeto que servisse como percussão que, geralmente, eram tocados por homens.
Também existiam as danças de promessas e danças de alegrias.
Quando uma mulher pedia uma graça a um santo, era comum realizar uma dança onde entrasse o sapateado no chão de madeira como se fizesse parte da oração do pedido. Neste caso, o sapato seria um calçado fechado com sola de madeira ou tamanco. Era comum, depois da graça alcançada, a moça realizar uma dança mais alegre com sapateado, também, ou convidar as amigas para uma roda em homenagem ao santo protetor.
Outro costume comum eram as danças das passagens da Estação do ano. Por exemplos: no balé da primavera, as moças bailavam jogando pétalas de rosas, na Dança do inverno elas dançavam com xales e no balé do outono as damas bailavam com cestos de frutas nas mãos.
Infelizmente, esta tradição se perdeu no tempo na Curitiba atual.
A Dança sempre foi vista como um instrumento da ligação entre a mulher e o divino. Então com a influência da religião católica isto permaneceu durante muito tempo. Hoje em dia em cidades pequenas do interior ainda é possível ver mulheres organizando rodas de danças em homenagem a algum santo.
Nas minhas aulas de Dança, procuro resgatar esta tradição com seus acessórios originais.
Luciana do Rocio Mallon

















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