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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Lenda do Fantasma do Conde Abel, o Poeta da Cartola, do Ahú

 

Lenda do Fantasma do Conde Abel, o Poeta da Cartola, do Ahú

Meu nome é Luciana do Rocio Mallon e sou autora do livro Lendas Curitibanas. Já contei várias lendas sobre o presídio do Ahú e hoje relato a lenda de um conde artista que ficou preso lá.

Na Curitiba, do início do século vinte, existia um poeta, jornalista e pianista chamado Abel Hamvultando. Naquele tempo a Monarquia já tinha acabado, mas várias pessoas insistiam em chamar esse poeta de conde. Aliás, ele era excelente escritor e foi elogiado até pela professora, Mariana Coelho, competente escritora feminista. Além disso, Abel foi amigo do costureiro Kiko, aquele mesmo de uma outra lenda em que esse próprio alfaiate reapareceu como gato cem anos depois. Bem, outras características interessantes de Abel é que também era um virtuoso músico e gostava de usar cartola.

Em 1900, ele matou um imigrante italiano chamado, Giovani também conhecido pelo apelido, Joãzinho Italiano, numa briga e por isso em 1909, Abel foi para a prisão do presídio do Ahú. Lá, ele passou a denunciar as condições do lugar escrevendo para jornais através de pseudônimos. Porém, um acessório que ele não dispensava, mesmo na clausura, era a cartola.

Reza a lenda que, naquela época, trouxeram o piano de Abel e colocaram o instrumento no porão. Pois, às vezes, ele era liberado para tocar piano nas profundezas do presídio.

Muitos anos se passaram e Abel faleceu.

Porém, durante a década de 1950, surgiram boatos de que pessoas passaram a escutar músicas ao piano e o som vinha dos misteriosos porões da penitenciária. Além disso, detentos passaram a ver um homem com roupas antigas e cartola andando pelos corredores. Alguns até escutaram esse mesmo rapaz misterioso declamando poemas. Esses relatos duraram até 2006, quando presídio foi desativado e até hoje dizem que era o espírito de Abel que tocava piano, declamava poemas e andava de cartola pelos corredores.

Por curiosidade, entre 1993 e 1994, foi gravada a novela chamada, Sonho Meu, em Curitiba. Algumas cenas, duas ou três, foram gravadas no presídio do Ahú e profissionais da equipe afirmaram que viram um rapaz misterioso com roupas de época e cartola andando pelos corredores.

Luciana do Rocio Mallon

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