segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Lenda do Quadro de Animais Domésticos do Castelo do Pintor

 

Lenda do Quadro de Animais Domésticos do Castelo do Pintor

Esse causo faz parte de uma série de lendas do castelo de um pintor falecido aqui de Curitiba. Esses causos aconteceram com uma amiga, que me autorizou a contar nas redes. Mas para manter a privacidade dela, no texto chamaremos a moça de Michele.

Em 1988, Dolores comprou um casarão construído no final do século dezenove, que pertenceu a um pintor, no bairro chamado Cabral em Curitiba. Ela tinha uma filha adolescente chamada Michele que não queria se mudar para a mansão afirmando ter medo de casas antigas. Mas, mesmo assim, a filha veio junto com ela. A mulher comprou a casa quase mobiliada e no porão tinham quadros. A filha escolheu um quarto dos fundos com escrivaninha, cama e ao lado dessa mesma cama tinha um quadro com três bichos pintados: um gato preto, um cachorro da raça Golden e um papagaio brincando no quintal daquele mesmo casarão.

Na primeira semana, Michele passou a escutar latidos de cão embaixo da sua janela, mas quando abria, a mesma janela, não via cachorro nenhum. Assim pensava que deveria ser algum animal da vizinhança. Na semana seguinte sempre pela noite, a garota passou a escutar barulhos de patas, no corredor, com miados de gato e teve a sensação que um gato sentava sobre a ela, enquanto ela estava dormindo. Porém quinze dias depois, ela começou ouvir voz de papagaio mesmo durante o dia. O papagaio gostava de falar as frases:

- Pintor Paulo, quero café e um cafuné.

- Eu não morri e o pintor também.

Porém como na frente da casa tinha uma academia de Artes e Música, Michele foi verificar os preços das aulas. Assim conversou com a dona do local e se apresentou como filha da nova proprietária do castelo do pintor em frente. Então a adolescente perguntou à dona:

- Por acaso sabe se o falecido pintor tinha animais de estimação?

A dona da academia respondeu:

- Ele tinha, mas morreram todos. Primeiro, ele possuía um gato preto que está enterrado no quintal. Depois ele teve uma cadela da raça Golden que foi atropelada nessa mesma rua e após isso ele adotou um papagaio que sumiu misteriosamente. As vezes tenho a impressão de ver os três rondando a minha academia pela noite, já que moro atrás do estabelecimento na edícula dos fundos. Reza a lenda que todas as criaturas que eram pintadas, pelo pintor Paulo, nunca morrem.

Naquele mesmo dia, Michele resolveu doar o quadro com os animais para uma moça de carrinho de papel que passava em frente ao casarão. A partir daquele dia, a garota disse que nunca mais escutou sons de animais no castelo do falecido pintor. Porém ela afirmou presenciar outros fenômenos sobrenaturais que contarei nas redes mais tarde.

Luciana do Rocio Mallon

 

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