Lenda do Anu
do Fandango do Litoral Sul e Sudeste
No século
dezoito, os portugueses trouxeram para o Brasil uma dança chamada, Fandango,
que tinha sapateados e saias rodadas. No litoral do Paraná e São Paulo, essa
dança, além de sua origem portuguesa também absorveu a influência de outras
etnias como: negra, indígena e cigana. Assim recebeu o apelido de Fandango
Caiçara.
Reza a lenda
que naquela época, no litoral, havia uma viúva rabugenta, toda vestida de
preto, que não gostava de alegria. Ela sempre usava leque escuro e xale preto.
Toda a vez
que tinha festa com Fandango, perto da sua casa de praia, a viúva xingava as
pessoas e chamava a polícia, que compreendia a situação e não prendia ninguém.
Um dia, no
meio de uma comemoração dessas, a viúva foi até a roda de Fandango e gritou:
- Se vocês
não pararem com essa algazarra agora, virarei um pássaro de mau agouro!
Naquele
mesmo instante a mulher desmaiou e virou uma ave escura chamada anu.
No dia
seguinte, no meio da Dança, um anu apareceu e tentou prejudicar o evento tentando
bicar os dançarinos. Porém, naquela mesma hora, os violeiros se inspiraram na
situação e começaram a cantar:
“- Anu, você
já foi viúva, uma bela uva, agora vá embora e me deixe dançar agora.”
Assim o
pássaro intrometido bateu asas e se afastou.
A partir
daquele dia, surgiu a lenda que se os violeiros começam a cantar músicas que
falam sobre o anu, ele sossega e vai embora.
Também dizem
até hoje que, no Litoral, se um anu cantar na porta de alguma família é sinal
de que alguém morrerá, na mesma semana, naquela casa. Pois esse pássaro
acompanha as almas, do Litoral, até o além.
Luciana do
Rocio Mallon
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