Caminho da
Roça nas Festas Juninas
Meu nome é
Luciana do Rocio Mallon, sou escritora, professora de Literatura, Folclore e
Dança.
Então, nesse
começo de junho, recebi as seguintes perguntas:
- Como
surgiu o Caminho da Roça nas Festas Juninas?
- Caminho da
Roça é uma Dança Junina?
- Quem
colocou ao famoso Caminho da Roça nas Festas Juninas?
Minhas
resposta estão abaixo:
- Essas
questões levantam muitas polêmicas porque para muitos especialistas o, Caminho
da Roça, é um passo no meio da quadrilha e para outros é uma Dança Junina com
vivência histórica.
Para ter uma
visão geral é preciso estudar a História das Festas Juninas, que comentarei
abaixo.
Na Idade
Antiga, na Europa, muitas civilizações eram politeístas e adoravam deuses.
Então as festas de junho eram para saudar o solstício de Verão, pedir boas
colheitas aos deuses e homenagear os trabalhadores do campo. Mas, durante a
Idade Média, com a expansão da Igreja Católica houve um trabalho dos religiosos
para acabarem com os rituais pagãos. Assim a Igreja Católica retirou a
celebração do solstício de Verão que pedia boas colheitas aos deuses e colocou
as Festas Juninas em homenagem aos santos: São João, Santo Antônio, São Pedro e
São Paulo. Porém as homenagens aos camponeses, nessas comemorações,
permaneceram.
Na época do
descobrimento do Brasil, portugueses vieram até nosso país, trouxeram seus
costumes que se misturaram com as tradições dos indígenas, que já estavam aqui
e dos afrodescendentes que vieram da África.
Já, no
século dezenove, passou a ser comum europeus e os próprios brasileiros miscigenados
comprarem terras no Brasil, mas com suas casas um tanto distantes das suas
propriedades rurais onde trabalhavam ou tinham roças próprias. Assim com o
objetivo de proteção, eles caminhavam em grupos, por meio de filas e
encontravam adversidades como: cobras, chuvas, ventanias, saqueadores, etc.
Dessa maneira, era comum quem estava na frente, dessas filas, dar avisos como:
- Olhem a
chuva!
- Olhem a
cobra!
- Olhem os
saqueadores!
Segundo o
professor de História, Pedro Oliveira, no século dezenove, numa Festa Junina de
igreja, o sanfoneiro faltou. Então o coreógrafo da quadrilha falou:
- Como não
tem música, vamos homenagear os agricultores dançando o caminho da roça árduo
que eles fazem todos os dias para trabalhar.
Desse jeito,
os dançarinos formaram uma fileira dançante, enquanto o coreógrafo dava as
ordens:
- Olhem a chuva!
- Virem para
o outro lado!
- É mentira!
- Virem para
o lado certo!
- Olhem a
cobra!
- Virem para
o outro lado!
- É mentira!
- Virem para
o lado certo!
Esses passos
foram tão divertidos e deram tão certo, que foram incorporados nas quadrilhas
de festas juninas.
Mas foi em
meados da década de 1920, que as festas juninas passaram a ser incorporadas nas
escolas, aos poucos e a partir daquele ano as quadrilhas passaram a fazer
sucesso nos ambientes acadêmicos. Então os professores introduziam o passo,
Caminho da Roça, no meio das danças por ter a coreografia de fácil entendimento
e sem complicações para ensaios.
Porém foi a
partir da década de 1970 que o passo junino, Caminho da Roça, se tornou uma Dança
independente nas festas escolares de junho. Pois a partir daquele ano, o número
de mulheres passou a ser maior do que o número de homens nas salas de aulas.
Assim, para evitar confusão em danças de pares, as professoras de Educação
Infantil e Educação Física passaram a
fazer trenzinho, ou seja, um aluno ficou atrás do outro sem a necessidade de
par e depois era somente os estudantes obedecerem ao comando do Caminho da Roça
na coreografia. Portanto foi assim que o Caminho da Roça passou de passo de
quadrilha para uma Dança Junina independente.
Luciana do
Rocio Mallon
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