domingo, 29 de março de 2026

Dança da Colheita do Pinhão da Época em Que Curitiba Tinha o Nome de Vila Nossa Senhora da Luz

 

Dança da Colheita do Pinhão da Época em Que Curitiba Tinha o Nome de Vila Nossa Senhora da Luz

 

Meu nome é Luciana do Rocio Mallon, sou professora de Folclore e estou pesquisando sobre as Danças de Curitiba de antigamente. Já falei, nas redes, sobre as Danças das Lavadeiras do Rio Atuba, a Dança da Quirera, a Dança Chamada Curitibano, as Danças das Esposas dos Tropeiros e agora falarei sobre a Dança da Colheita do Pinhão.

O nome, Curitiba, tem tudo a ver com o pinhão que é a semente da Araucária. Pois o nome, Curitiba, vem do tupi-guarani porque é a união da palavra, “kury”, que significa pinhão e pinheiro junto com a palavra, “tiba”, que significa grande quantidade e abundância. Então a tradução fica: lugar que tem muito pinheiro e pinhão.

Reza a lenda que um indígena apontou para o marco zero da cidade e gritou a palavra:

- Kury tiba!

A verdade é que bem antes de Curitiba se chamar Vila Nossa Senhora da Luz e muito antes da colonização, do Brasil, pelos portugueses, nessa terra existiam os indígenas que já consumiam o pinhão e faziam danças em rituais para reverenciar esse alimento, que para eles, tinha poderes mágicos.

Com a chegada de novos povos como: brancos, afros e ciganos, aconteceu uma mistura fantástica de tradições.

Assim, quando Curitiba ainda se chamava, Vila de Nossa Senhora da Luz surgiu a Dança da Colheita do Pinhão.

A colheita, geralmente, acontecia em meados de abril até meados de julho.

Mas a Dança da Colheita do Pinhão tinha seu ápice em junho.

A coreografia tem raiz num ritual tupi-guarani de saudação à deusa da agricultura Ceuci que se misturou com algumas danças portuguesas na terra dos pinheirais. O bailado consiste em mulheres, de saias compridas e rodadas, dançando com cestos ou balaios repletos de pinhões. No meio da Dança elas deixam os balaios no chão e fazem gestos de reverência às sementes de araucária. Nesse momento, aparece uma pessoa vestida com penas azuis representando a gralha-azul, a ave que espalha sementes de araucárias, fazendo gestos que representam asas. No final da Dança, as bailarinas da colheita colocam os pinhões em cima de amontoados de folhas secas chamadas de grimpas ou sapés. Depois pessoas da comunidade fazem fogueiras para assar esses pinhões nesses mesmos sapés ou grimpas. Após isso os pinhões são retirados das brasas, com espetos longos e consumidos. Pois desse jeito, o pinhão fica com a casca torrada e o interior cozido, prática que deixa o alimento crocante e saboroso. Dessa maneira esse prato foi batizado de sapecada de pinhão.

No século dezenove, a Dança da Colheita do Pinhão, foi incorporada às festas juninas. Mas sua prática desapareceu porque o povo preferiu dançar somente quadrilha durante os festejos de junho.

Porém estou pesquisando as danças tradicionais de Curitiba de antigamente e pude concluir que a Dança da Colheita do pinhão tem uma história tão interessante que precisa ser novamente praticada pelas pessoas desse lugar.

Luciana do Rocio Mallon

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