quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quando Eu Brincava de Casinha, Sempre Escolhia Ser o Cão de Guarda

Quando eu Brincava de Casinha, Sempre Escolhia Ser o Cão de Guarda
                                                                                                                                             
Os cães são os animais mais fiéis ao ser humano. Por isto, nunca entendi o porquê as palavras cachorro e cadela são utilizadas de formas pejorativas, como xingamentos, contra pessoas de caráter duvidoso.
Quando eu era criança, entre os quatro e seis anos de idade, e meus colegas resolviam brincar de casinha, eles sempre escolhiam fazer os papéis de: papai, mamãe, filhinhos e empregada. Mas sempre quando me perguntavam:
- Luciana, quem você vai querer ser?
Logo eu respondia:
- Eu desejo ser a cadelinha de guarda.
Assim pedia aos meus colegas para que colocassem uma coleira com corrente no meu pescoço e andassem comigo pelos jardins e corredores. Desta forma eu sentia um misto de ternura com alegria.
Naquela mesma época ganhei um livro sobre os deuses-animais do Egito e logo fiquei admirada ao conhecer o chacal e o Anúbis que eram canídeos com poderes divinos. Nesta mesma obra existiam duas máscaras, destes animais-deuses, como brinde. Deste jeito, sempre quando eu colocava estas máscaras, algo místico acontecia dentro de mim.
Aos 23 anos me interessei por um homem que afirmava que possuir cachorra de estimação era melhor do que ter namorada, pois a cadela não tem TPM e não faz cobranças amorosas. Por isto, ele não quis ter um relacionamento comigo.
Naquela mesma época eu comprei uma fantasia de cachorrinha e toda a vez que vestia esta roupa sentia uma paz espiritual dentro de mim.
A expressão “levar na coleira” nunca teve ar de repressão para mim, pelo contrário, sempre achei que o fato do dono carregar um animal na coleira é uma prova de amor para não deixar o bichinho escapar e correr riscos, como por exemplo: ser atropelado. No meu caso, sempre procurei um amor para servir e ser guiada ao mesmo tempo contra as adversidades da vida.
Hoje, toda a vez que me lembro da infância, a imagem da brincadeira de casinha, onde eu era a cachorrinha de guarda, sempre me vem à cabeça. Esta é uma das lembranças mais bonitas daquela época.
Luciana do Rocio Mallon





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