segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Bilhetagem Eletrônica X Cobradores de Onibus Inesquecíveis


Bilhetagem Eletrônica X Cobradores de Onibus Inesquecíveis
Há um boato dizendo que querem acabar com a função de cobrador, nos ônibus e nos tubos de Curitiba, para colocar o cartão eletrônico no lugar.
Isto, com certeza, causará desemprego. Pois vários cobradores perderão suas funções. Isto é horrível, principalmente, nesta época de crise.
Impor a bilhetagem eletrônica não acabará com os assaltos, dentro dos ônibus, como os desavisados pensam. Pois arrastões são realizados até em micro-ônibus, onde não existem mais cobradores.
Sem falar que com ausência de cobradores, nas estações-tubos, o número de vândalos que furam as catracas e destroem o patrimônio público aumentará.
Esta confusão fez minha alma viajar no tempo e me lembrei de cobradores de ônibus inesquecíveis.
Nos anos noventa, havia um cobrador idoso que tinha só a unha do dedo mindinho pintada e comprida. Eu perguntei se aquilo era uma simpatia e o idoso afirmou que sim. Porém, simpatias mesmo eram suas atitudes com as pessoas. Além de ser gentil este ancião, no Natal, se vestia de Papai Noel e dava presentes para as crianças carentes que pegavam o coletivo. Na Páscoa, ele colocava uma tiara com orelhas de coelho e distribuía doces para os pequenos.
Nos anos 80, existia uma cobradora que quando não estava recebendo a passagem, confeccionava tricô e crochê sentada em sua cadeira no coletivo. Porém, quando fazia muito frio e esta moça via algum passageiro congelando, logo oferecia alguma blusa que ela tinha feito para a criatura e não cobrava nada por isto. Um dia esqueci meu casaco, em casa, e ela me deu uma blusa de lã que confeccionou durante as viagens de ônibus.
Muitas vezes os cobradores animam os passageiros que estão dentro dos coletivos com seus sorrisos, histórias e atitudes. Um ônibus sem cobrador é um coletivo sem alma.
Luciana do Rocio Mallon          
          




domingo, 4 de novembro de 2018

O Ódio e o Horário de Verão


Só duas coisas podem tirar horas de vida do ser humano: o ódio e o horário de verão. Pois nada acontece em vão.
Aliás, o horário de verão transforma qualquer Cinderella em gata borralheira, deixando a pobre mais borralheira do que gata.
Pois tem moça que, por causa deste horário, não consegue passar maquiagem e nem pentear os cabelos antes de sair para trabalhar. Assim, como fica sem tempo para pegar o ônibus convencional, ela precisa chamar o táxi cor de abóbora ou o UBER do carro cor de gelo.
Nesta fábula, não existe fada-madrinha.
Luciana do Rocio Mallon



sábado, 3 de novembro de 2018

Lenda da Expressão: Fulano Se Finge de Morto Para Pegar o Coveiro


Lenda da Expressão: Fulano Se Finge de Morto Para Pegar o Coveiro
Reza a lenda que, na Idade Média, existia um agricultor solteiro, chamado Rogério, que era apaixonado pelo coveiro da vila, Ricardo, que também era solitário. Porém bebia muito à noite, além de ser sonâmbulo e morar num puxado aos fundos do cemitério.
Mas Rogério tinha vergonha de confessar o seu amor com medo da homofobia da época. Pois os homossexuais comprovados eram mortos na fogueira ou na forca pela Inquisição.
Assim o agricultor se fingiu de morto e foi enterrado no campo-santo. Porém, à noite, ele saiu do túmulo, se vestiu de mulher, entrou na casa do coveiro que estava bêbado e em estado de sonambulismo.
Assim, Rogério fingiu que era uma moça e confessou o seu amor, que foi correspondido.
Deste jeito, de dia o rapaz trabalhava na sua propriedade rural e à noite se vestia de mulher para seduzir o coveiro.
Numa madrugada os dois beberam demais. Por isto demoraram a acordar. As pessoas, preocupadas, arrombaram a porta da casa de Ricardo e pegaram o coveiro dormindo com o agricultor vestido de mulher. Então uma das beatas exclamou:
- O Rogério não morreu!                                  
- O Diabo está solto porque ele voltou como mulher!
- Fogueira nos dois!
Mas o agricultor exclamou:
- A culpa foi minha!
- Eu me fingi de morto e me vesti de mulher para conquistar o coveiro!
- Ele é inocente.
Então amarraram o lavrador no pilar e lançaram fogo. No mesmo instante que seu corpo foi sendo queimado, moedas de ouro saíram das chamas.
No mesmo instante um pássaro voou e comentou:
- No futuro muita gente se fingirá de morta para se aproveitar do coveiro.
Luciana do Rocio Mallon







sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Garota Com Balão Que Foi Triturada


Garota Com Balão Que Foi Triturada

Uma garota com um balão de coração carmim
Foi desenhada em uma delicada e bela tela
Sua alma era esta imagem sem fim
Brilhando na galeria da passarela

O coração escapava entre seus dedos
Assim seu olhar se encheu de medos
Sua saia foi balançada pelo forte vento
Que levou tudo, menos seu sentimento

Porém foi leiloada esta gravura
Misturando doçura com amargura
Quando a tela foi sair da dura parede
Com toda a pressa, ganância e sede

Ela foi triturada no mesmo segundo
Abalando todo o frágil mundo
Quando o amor vai embora por dinheiro
O espírito fica moído por inteiro

Sempre há um triturador escondido na moldura
Quando o interesse existe de forma impura.
Luciana do Rocio Mallon










No Meu Túmulo Haverá um Jasmim, Porque Jaz Mim


No Meu Túmulo Haverá um Jasmim, Porque Jaz Mim
Vejo uma coroa de coloridos e delicados cravos
Nos túmulos dos trabalhadores e escravos
Observo ramalhetes perfumados de rosas
Nas lápides das damas formosas e caridosas

Olho vasos de suaves e leves margaridas
Nas capelas de quem curava as feridas
Percebo boca-de-leão ao lado dos túmulos das fofoqueiras
Que, muitas vezes, diziam notícias verdadeiras

Mas no meu túmulo quero apenas um jasmim
Porque na minha lápide de mármore e marfim
Estará escrito esta frase sem fim
Tão brilhante como o cetim:
Aqui, jaz mim.
Luciana do Rocio Mallon




Beijo de Mulher Casada Tem Gosto de Pólvora


Beijo de Mulher Casada Tem Gosto de Pólvora
Lamento a morte brutal do jogador, Daniel, porque ninguém merece ser assassinado daquele jeito com espancamento e mutilação.
Mas o problema é que ele mexeu com mulher casada, o marido descobriu e o resultado foi esta tragédia. Isto não justifica a violência, mas explica várias coisas.
Conheço um homem solteiro, morador de Curitiba, que vive correndo atrás de mulher comprometida não por falta de opção, mas por falta de juízo. Pois existem várias moças solteiras, sérias e românticas interessadas nele. Porém o rapaz prefere só as casadas. Inclusive o moço apanhou e foi roubado pelo companheiro de uma destas senhoras casadas que ele mexeu.
É como diz o ditado:
Beijo de mulher casada tem gosto de pólvora.
Tomara que o Poder Superior tenha piedade das almas destes moços aventureiros.
Luciana do Rocio Mallon