quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Anjo do Trompete Que Estragou

O Anjo do Trompete Que Estragou
                                   
Era uma vez um lindo querubim
Que teve suas asas cortadas
Assim, ele virou um homem sem fim
Apaixonado por leves serenatas

Este anjo que veio de outros astrais
Gostava de instrumentos musicais
Para o querubim cada instrumento
Representava um belo sentimento

Numa festa de primavera, ao lado da borboleta
O anjo conheceu o divino filho da trombeta
Ele conheceu um trompete de prata
Naquela festa bastante vasta!

Mas, os pistões ele quis lubrificar
E, simplesmente, colocou óleo de motor
Assim eles não quiseram tocar
Apesar de tanta dedicação e amor

O anjo colocou, sem querer, o óleo errado
Porém, o conserto veio pela harmonia
O pistom vendo seu sofrimento ao lado
Indicou o óleo certo com magia
Através da vibração de sua energia

O anjo entrou numa loja de instrumentos musicais
Desta maneira, adquiriu o óleo certo
E o som do trompete atingiu outros astrais
Conquistando as musas que estavam por perto.
Luciana do Rocio Mallon



A Síndrome de Asperger e os Quatro Elementos

A Síndrome de Asperger e os Quatro Elementos

A Síndrome de Asperger é um tipo de autismo leve onde, geralmente, o portador tem a interpretação muito literal das expressões e frases, como mostra o causo relatado a seguir:
No começo dos anos 80, pouco se falava sobre a Síndrome de Asperger. Em Curitiba, naquela época, um rapaz com este tipo de deficiência resolveu passear com mais três amigos. Durante a madrugada eles foram abordados por um guarda que perguntou-lhes:
- Quais os nomes dos quatro elementos?
Então, o moço autista, ajustou seus óculos, olhou para os pés do policial e respondeu:
- Terra, ar, água e fogo.
O guarda exclamou:
- Todo mundo preso por desacato à autoridade!
Os rapazes foram parar na delegacia até que chegou a mãe do garoto deficiente, explicou que o filho era autista e até mostrou o atestado médico para as autoridades competentes.
Este causo foi parar num programa, de televisão da capital do Paraná, popular da época chamado Cadeia. O problema é que postaram o vídeo desta reportagem na Internet, mas ainda bem que agora foi retirado, e ele acabou inspirando quadrinhos de alguns “memes” virtuais famosos. Porém, a história original é esta citada acima.
Luciana do Rocio Mallon









terça-feira, 28 de julho de 2015

O Cupido Que Perdeu o Emprego Para o ET

O Cupido Que Perdeu o Emprego Para o ET

Num quadro misterioso e atrevido
Chamado Amor Desarmado
Uma loira segura um cupido,
Que olha, furioso, de lado

A moça cansada de tanto chorar e se apaixonar
Tentou segurar o cupido no seu devido lugar

Mas o tempo passou sem medo
E o cupido perdeu seu emprego
De espalhar paixão pela crosta terrestre!
Ele foi substituído por um extraterrestre

Como o coração das pessoas está duro,
Frio, gelado, escuro e obscuro
As flechas não entravam mais em qualquer peito
Ele tentou britadeira, mas não teve jeito!

Então, pediram ajuda ao espaço sideral
Assim, trouxeram um ET de outro astral!
Mas, o alien não conseguiu colocar amor
No coração destes terráqueos sem calor!
Assim trocaram o ET por um simpático suricato
Que não trouxe paixão, e, sim alegria no ato:
“-Sou um suricato, por isto me solta, amiga
Gosto de comédia e não curto intriga”

Agora, o Cupido está no Olimpo sem fim
Comportando-se como um querubim.
Luciana do Rocio Mallon





Ele Dorme no Sótão

Ele Dorme no Sótão

Ele dorme no sótão por um motivo especial
Pois prefere ficar perto do espaço sideral!
No sótão ele fala com as estrelas cintilantes
E recebe os raios do Sol brilhantes!

Ele dorme no sótão, sem forro
Porque não precisa de frescura
Lá, ele esconde a máscara de Zorro
Com a espada que corta a amargura!

Ele conversa com as almas das telhas
Contando segredos das centelhas!
Há telhas alaranjadas e telhas transparentes
Entre confidências nada inocentes!

Da janela,  do sótão, ele vê o jardim
Iluminando a rosa e o jasmim!
O casarão inteiro é um querubim

Mas, ele dorme no sótão, na auréola
Pois descansa num arco cheio de luz
Cada vez que ele abre a janela
Surge um cheiro doce de alcaçuz!

Ele dorme no sótão, pois é um sonhador
Que fica em cima, com alma de guerreiro
No alto da casa há o mais puro amor
Subindo a escada de um jeito verdadeiro.
Luciana do Rocio Mallon





domingo, 26 de julho de 2015

Cena Curitibana de uma Segunda de Inverno

Cena Curitibana de uma Segunda de Inverno
                                                                                         
Tenho uma amiga que faz parte de um grupo voluntário que distribui comida e roupas para os moradores de rua e mendigos da cidade de Curitiba.
Numa noite de segunda-feira de inverno, esta minha colega estava distribuindo pratos quentes para os carentes, no Centro da cidade, quando percebi que criaturas moradoras dos prédios, ao redor, também ficavam na fila para ganhar um prato de comida doado. Fiquei quieta, pois preferi não julga-las.
Mas, uma senhora idosa, que estava observando a situação, não ficou quieta e chamou a atenção do grupo de doadores:
- Tem pessoas, nesta fila, que moram nos prédios centrais e não são moradoras de rua. Por isto, elas não merecem pegar os alimentos. Por exemplo: estou vendo um rapaz ali com um tênis de setecentos reais...
Minha amiga explicou:
- A função do grupo é oferecer alimentos e roupas para os seres que aceitam receber estes donativos. Se alguém, que não é carente, entra na fila e aceita as doações, ele está dando bom exemplo. Pois isto é sinal de humildade.
Deste jeito, a anciã implicante começou a xingar:
- Bando de coxinhas hipócritas do diabo, seus %$#@!
- Deveriam de oferecer coxinhas ao invés de comida de verdade...
Sinceramente, até agora estou refletindo sobre esta cena e ainda não cheguei a nenhuma conclusão.
Luciana do Rocio Mallon



A Musa da Vidraça

A Musa da Vidraça
                               
Quando ela limpa a vidraça
Do apartamento em frente
A atmosfera se enche de graça
Pois tudo fica diferente!

Ela tira toda a poeira
Do vidro sujo e imundo
Tornando-se a feiticeira
De todo o resto do mundo!

Quando o trapo ela passa
Em toda a nebulosa vidraça
Com o detergente de alfazema
Ela preenche todo o universo de graça
Muito mais do que a Garota de Ipanema!

Não sei se ela é empregada
Ou é somente uma diarista
Sem ela minha tarde não é nada
Não posso perdê-la de vista!

Ela não pode limpar a vidraça
Sem ganhar nada e de graça
Porque isto seria trapaça
Ela arrisca seu pescoço delicado de garça

E o resto do seu corpo inteiro
Pois pode cair do apartamento
Num acidente traiçoeiro
Sem nenhum tipo de sentimento

Um dia, por curiosidade, fui até aquele lugar
E uma senhora idosa, lentamente, me atendeu
Falou que as janelas há anos ninguém ousa em limpar
E que a última empregada faz tempo que já morreu

Quem será a musa da vidraça
Que não deixa a janela,
Tão leve e singela,
Virar uma abandonada carcaça?
Luciana do Rocio Mallon













Filtro de Barro

Filtro de Barro

Quando eu morava no interior
Numa casa no meio da floresta
Não faltava a esperança de um amor
Pois toda a manhã parecia uma festa

Por causa do poço no quintal
Toda a hora surgia uma menina
Querendo água num jarro especial
Com um sorriso leve de bailarina
Dançando pelo espaço sideral

Porém um dia secou o poço
E toda a minha esperança de moço
Passou a só se acender num cigarro
Mas, logo, ganhei um filtro de barro

Com um desenho de santo estampado
Aquela divina e mágica gravura
Era sinal que o filtro foi abençoado
Por uma celestial figura!

Quando eu abria a tampa de cima
Navegava entre as duas velas
Viajando numa lagoa fina
Nas águas mais singelas

Filtro de barro, você foi meu melhor amigo
Porque fez parte da minha infância
Protegendo-me do inimigo
Tirando toda a ganância!

Para beber de sua água, não apareceu nenhuma menina
Mas, você fez da minha solidão uma ponte para a paz
Transformando a água do rio na fonte mais fina
Iluminando o céu calmo, misterioso e lilás.
Luciana do Rocio Mallon