segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Lenda do Bairro Pinheirinho de Curitiba

Lenda do Bairro Pinheirinho
       
Numa tribo, localizada onde hoje é o bairro chamado Pinheirinho, na cidade de Curitiba, havia uma índia chamada Apoema que gostava de conversar com os pinheiros. Ela amava, em silêncio, um índio chamado Cauã. O problema é que, também, existia outra nativa que era apaixonada por ele: Aimé.
Então, quando Aimé soube que Apoema estava quase conquistando o seu objeto de desejo, ela pediu para que seu pai, o pajé da tribo, fizesse um feitiço para afastar a sua rival.
Assim, o feiticeiro realizou um ritual que transformou Apoema numa gralha parda, que voou para o céu e pediu uma chance para Tupã. Este deus falou que ela poderia virar humana novamente se cumprisse a seguinte missão: espalhar sementes de uma árvore chamada Araucária por toda a vila, que hoje é a cidade de Curitiba.
Apoema cumpriu a missão muito bem. Porém, quando Tupã a chamou para conversar ela disse-lhe:
- Não quero virar mais humana porque gostei de ser pássaro. O único desejo que peço é para ter as penas azuis.
Assim, Tupã deu a cor anil para esta ave que recebeu o apelido de gralha azul.
O tempo passou e o local onde era a tribo de Apoema transformou-se num lugar chamado Capão dos Porcos. Naquela região instalou-se um jovem bruxo que havia fugido da Europa. Este feiticeiro virou lavrador no meio do mato. Mesmo assim, não tinha a simpatia da população.
Como este feiticeiro era bonito, a gralha azul apaixonou-se por ele. Assim, Apoema pediu para se transformar em mulher novamente. Mas, Tupã disse que não e que o amor dela com o mago só seria possível se ele morresse e tivesse o corpo enterrado dentro de um pinheiro. Pois, só assim Apoema poderia virar mulher de noite para conversar com a alma do amado dentro da árvore. Porém, de dia, ela continuaria sendo uma gralha azul.
Naquelas bandas existia um menino chamado Rafael que vivia sendo maltratado por Zé, seu padrasto, mas ninguém sabia. Um certo dia, este  homem matou o enteado e jogou o corpo perto da casa do mago.
Quando acharam o cadáver, o homem colocou a culpa no feiticeiro, mentindo que o bruxo matou o menino num ritual de magia negra. Então a população espancou o bruxo até a morte.
Naquela mesma noite, Apoema virou uma mulher e enterrou corpo de seu amado num pinheirinho, na entrada de uma fazenda chamada Pinheiro. Naquele mesmo instante, surgiram outros pinheiros em fileiras. Então, a alma do feiticeiro saiu de dentro da árvore para namorar a índia. Assim, a situação ficou deste jeito: de dia Apoema era uma gralha azul espalhando sementes de Araucária, mas de noite ela se transformava numa índia que encontrava o espírito de seu amado, que saia de dentro da árvore.
Com o tempo os pinheiros da fazenda foram desaparecendo pouco a pouco. Porém, o único pinheiro que restou foi a árvore onde o corpo do bruxo foi enterrado por dentro. Reza a lenda que já tentaram derrubar este pinheiro, mas nunca ninguém conseguiu. Por isto, este local recebeu o nome de: Bairro Pinheirinho.
Luciana do Rocio Mallon




Lendas do Pimp My Carroça de Curitiba

Lendas do Pimp My Carroça de Curitiba
                 
Patrícia e Bibi são duas primas que moram em Curitiba, a primeira é loira e a segunda é morena. Na manhã de 2 de novembro, Dia de Finados, elas resolveram levar flores e velas, para parentes falecidos, no cemitério.
Ao lado do muro, já na parte de dentro do campo-santo, Patrícia viu dois sprays e disse a sua prima:
- Olhe, Bibi:          
-  Dois sprays!
- Que saudades da época em que eu fazia trabalhos artísticos com este material.
- Acho que pegarei estes sprays e colocarei na bolsa.
Bibi fez uma cara feia e criticou:
- Credo!
- Já pensou se estes sprays são de algum fantasma?
Patrícia deu uma risada, guardou os materiais na bolsa e comentou:
- Fantasmas não existem.
Após colorarem flores e velas nos túmulos de entes queridos, Bibi indagou a sua prima:
- Vamos passear?
Patrícia concordou:
- Sim!
Então as duas meninas caminharam  bastante até que avistaram um evento numa praça. A loira reparou:
- Veja, Bibi:
- As pessoas estão pintando, com spray, as carroças dos “carrinheiros”!
- Já que estou com dois sprays, na bolsa, vamos pintar também!
As garotas chegaram perto de um organizador e perguntaram:
- Será que podemos pintar as carroças, também?
O rapaz respondeu:
- Sim, por favor, peguem sprays na barraca ao lado.
Patrícia explicou:
- Obrigada!
- Não precisamos, pois eu tenho dois sprays na minha bolsa.
O moço explicou:
- Mas, se desejarem há sprays de várias cores nos barracos.
Assim, Bibi pegou tubos com outras cores e pegou um spray que estava na bolsa de sua prima.
Desta maneira, Patrícia aproximou-se de uma senhora que estava com uma menina e perguntou a elas:
- Boa tarde!
- Quais são os nomes de vocês?
A velhinha respondeu:
- Meu nome é Doroles e o da minha neta é Taís.
Então, a jovem perguntou à criança:
- O que você deseja que eu pinte no seu carrinho?
A menina respondeu:
- Quero que desenhe uma bruxa.
Então, Patrícia desenhou uma feiticeira de desenho infantil.
Bibi chegou perto de um senhor com um menino e falou a eles:
- Como se chamam?
O menino respondeu:
- Eu me chamo Robson e o meu avô é Antônio.
Esta morena perguntou ao garotinho:
- O que você quer que eu desenhe?
A criança respondeu:
- Desejo que você pinte uma fada que realize todos os meus desejos.
Assim, a moça pintou uma fada de história infantil.
Todos os “carrinheiros” saíram satisfeitos com obras de artes pintadas nos seus instrumentos de trabalho.
Quando Robson chegou ao barraco, com seu avô, assustou-se ao ver um notebook em cima da sua cama, com o seguinte bilhete:
- Você me chamou, me trouxe a vida e agora todos os seus desejos serão realizados.
O avô achou o acontecimento estranho, mas pensou que poderia ser armação de Amanda, sua filha que era mãe de Robson, e que tinha abandonado a criança com ele.
A partir daquele segundo, o moleque passou a receber presentes caros de remetentes anônimos.
Já na casa de Doroles, coisas estranhas começaram a ocorrem: pratos passaram a se quebrar sozinhos, gavetas se abriam sem nenhuma explicação,etc.
Naquela noite, Patrícia teve o seguinte sonho:
Ela estava no cemitério, viu dois sprays abandonados e pegou estes materiais. De repente, apareceu um menino vestido com boné e bermuda que disse-lhe:
- Você não devia ter pego aqueles sprays.
A loira respondeu:
- Ué!
- Por que ?
O garoto respondeu:
- Aqueles dois sprays foram presentes dos meus parentes vivos para mim. Inclusive, eles deixaram em cima do meu túmulo porque sabiam que eu amava grafitar. Mas, veio um espírito de porco, que retirou os meus presentes do local e colocou ao lado do muro. Daí chegou você e pegou...
- Mas, o principal problema é que aqueles sprays eram mágicos. Pois, se alguém desenhar coisas positivas, a tinta vai até o universo e estes pedidos podem se tornar realidade.  Mas, se alguém pintar coisas negativas, acontecerão tragédias...
Patrícia assustou-se e comentou:
- Poxa, eu desenhei uma bruxa, muito má, na carroça de uma senhora e de uma menina...
- Como faço para ajuda-las ?
O menino explicou:
- Primeiro, você tem que encontrar estas pessoas, explicar a situação e tentar desfazer o feitiço. Para anular esta magia você deve colocar tinta branca na figura e depois pintar coisas positivas em cima.
A loira falou:
- Compreendo.
- Mas, como farei para encontrar estas pessoas novamente ?
O pequeno explicou:
- Seu coração será seu melhor guia.
- Mas se desejar, faça seu pedido a São Longuinho que sempre dá certo.
Após isto, a moça acordou, ficou pensativa e fez a oração que o garoto sugeriu.
No dia seguinte, Patrícia precisou levar umas encomendas, dos produtos de sua firma, ao bairro Parolin. Porém, no meio do caminho, ela avistou Doroles e Taís na calçada, parou o carro e cumprimentou:
- Bom dia!
- Vocês se lembram de mim?
A velhinha comentou:
- Claro que me lembro!
- Afinal, depois que você pintou uma bruxa no meu carrinho, coisas sobrenaturais passaram a acontecer lá em casa.
A loira explicou:
- Não se preocupe...
- Seus problemas se acabaram!
- Pois eu tenho a solução:
-  Irei a casa de vocês, tirarei esta gravura horrorosa e no lugar dela pintarei uma linda paisagem. Deste jeito, as coisas voltarão ao normal.
Naquele mesmo instante, Patrícia fez o que prometeu e os acontecimentos ruins na casa de Dolores acabaram.
Luciana do Rocio Mallon









Lendas do Pimp My Carroça de Curitiba

Lendas do Pimp My Carroça de Curitiba
                 
Patrícia e Bibi são duas primas que moram em Curitiba, a primeira é loira e a segunda é morena. Na manhã de 2 de novembro, Dia de Finados, elas resolveram levar flores e velas, para parentes falecidos, no cemitério.
Ao lado do muro, já na parte de dentro do campo-santo, Patrícia viu dois sprays e disse a sua prima:
- Olhe, Bibi:          
-  Dois sprays!
- Que saudades da época em que eu fazia trabalhos artísticos com este material.
- Acho que pegarei estes sprays e colocarei na bolsa.
Bibi fez uma cara feia e criticou:
- Credo!
- Já pensou se estes sprays são de algum fantasma?
Patrícia deu uma risada, guardou os materiais na bolsa e comentou:
- Fantasmas não existem.
Após colorarem flores e velas nos túmulos de entes queridos, Bibi indagou a sua prima:
- Vamos passear?
Patrícia concordou:
- Sim!
Então as duas meninas caminharam  bastante até que avistaram um evento numa praça. A loira reparou:
- Veja, Bibi:
- As pessoas estão pintando, com spray, as carroças dos “carrinheiros”!
- Já que estou com dois sprays, na bolsa, vamos pintar também!
As garotas chegaram perto de um organizador e perguntaram:
- Será que podemos pintar as carroças, também?
O rapaz respondeu:
- Sim, por favor, peguem sprays na barraca ao lado.
Patrícia explicou:
- Obrigada!
- Não precisamos, pois eu tenho dois sprays na minha bolsa.
O moço explicou:
- Mas, se desejarem há sprays de várias cores nos barracos.
Assim, Bibi pegou tubos com outras cores e pegou um spray que estava na bolsa de sua prima.
Desta maneira, Patrícia aproximou-se de uma senhora que estava com uma menina e perguntou a elas:
- Boa tarde!
- Quais são os nomes de vocês?
A velhinha respondeu:
- Meu nome é Doroles e o da minha neta é Taís.
Então, a jovem perguntou à criança:
- O que você deseja que eu pinte no seu carrinho?
A menina respondeu:
- Quero que desenhe uma bruxa.
Então, Patrícia desenhou uma feiticeira de desenho infantil.
Bibi chegou perto de um senhor com um menino e falou a eles:
- Como se chamam?
O menino respondeu:
- Eu me chamo Robson e o meu avô é Antônio.
Esta morena perguntou ao garotinho:
- O que você quer que eu desenhe?
A criança respondeu:
- Desejo que você pinte uma fada que realize todos os meus desejos.
Assim, a moça pintou uma fada de história infantil.
Todos os “carrinheiros” saíram satisfeitos com obras de artes pintadas nos seus instrumentos de trabalho.
Quando Robson chegou ao barraco, com seu avô, assustou-se ao ver um notebook em cima da sua cama, com o seguinte bilhete:
- Você me chamou, me trouxe a vida e agora todos os seus desejos serão realizados.
O avô achou o acontecimento estranho, mas pensou que poderia ser armação de Amanda, sua filha que era mãe de Robson, e que tinha abandonado a criança com ele.
A partir daquele segundo, o moleque passou a receber presentes caros de remetentes anônimos.
Já na casa de Doroles, coisas estranhas começaram a ocorrem: pratos passaram a se quebrar sozinhos, gavetas se abriam sem nenhuma explicação,etc.
Naquela noite, Patrícia teve o seguinte sonho:
Ela estava no cemitério, viu dois sprays abandonados e pegou estes materiais. De repente, apareceu um menino vestido com boné e bermuda que disse-lhe:
- Você não devia ter pego aqueles sprays.
A loira respondeu:
- Ué!
- Por que ?
O garoto respondeu:
- Aqueles dois sprays foram presentes dos meus parentes vivos para mim. Inclusive, eles deixaram em cima do meu túmulo porque sabiam que eu amava grafitar. Mas, veio um espírito de porco, que retirou os meus presentes do local e colocou ao lado do muro. Daí chegou você e pegou...
- Mas, o principal problema é que aqueles sprays eram mágicos. Pois, se alguém desenhar coisas positivas, a tinta vai até o universo e estes pedidos podem se tornar realidade.  Mas, se alguém pintar coisas negativas, acontecerão tragédias...
Patrícia assustou-se e comentou:
- Poxa, eu desenhei uma bruxa, muito má, na carroça de uma senhora e de uma menina...
- Como faço para ajuda-las ?
O menino explicou:
- Primeiro, você tem que encontrar estas pessoas, explicar a situação e tentar desfazer o feitiço. Para anular esta magia você deve colocar tinta branca na figura e depois pintar coisas positivas em cima.
A loira falou:
- Compreendo.
- Mas, como farei para encontrar estas pessoas novamente ?
O pequeno explicou:
- Seu coração será seu melhor guia.
- Mas se desejar, faça seu pedido a São Longuinho que sempre dá certo.
Após isto, a moça acordou, ficou pensativa e fez a oração que o garoto sugeriu.
No dia seguinte, Patrícia precisou levar umas encomendas, dos produtos de sua firma, ao bairro Parolin. Porém, no meio do caminho, ela avistou Doroles e Taís na calçada, parou o carro e cumprimentou:
- Bom dia!
- Vocês se lembram de mim?
A velhinha comentou:
- Claro que me lembro!
- Afinal, depois que você pintou uma bruxa no meu carrinho, coisas sobrenaturais passaram a acontecer lá em casa.
A loira explicou:
- Não se preocupe...
- Seus problemas se acabaram!
- Pois eu tenho a solução:
-  Irei a casa de vocês, tirarei esta gravura horrorosa e no lugar dela pintarei uma linda paisagem. Deste jeito, as coisas voltarão ao normal.
Naquele mesmo instante, Patrícia fez o que prometeu e os acontecimentos ruins na casa de Dolores acabaram.
Luciana do Rocio Mallon









domingo, 3 de novembro de 2013

Falsos Gênios e Gênios Falsos

Gênios Falsos e Falsos Gênios

Existem pessoas que se julgam gênios
Deixando os outros sem oxigênios!
Estes seres desonestos e sem paciência
Pagam para entrar em clubes de inteligência
                                  
Só para ter o poder de espalhar
Toda a arrogância pelo ar
E aproveitar a vida bem à toa
Se gênio fosse uma criatura boa
                                         
Não sacanearia, depois dos famosos três pedidos
Quem o libertou da lâmpada onde estava escondido!
Para o gênio, todo o pedido tem um preço a pagar
Senão as promessas desaparecem pelo ar!

A Jennie viva aprontando travessuras
Misturadas com risíveis loucuras
Para seu protegido: Nelson, o Major
Assim, a situação ia de mal a pior

Quem se julga gênio costuma ser arrogante
Pode ser inteligente, mas não é elegante!
Pois, gosta mesmo é de viver dentro da garrafa com rolha
No seu próprio mundo, menor do que uma simples bolha!

Ele vive dentro da lâmpada, mas não acende a luz
Pois a soberba é a escuridão sempre seduz e reduz
A humildade sincera, pura e verdadeira
Porque arrogância é uma cruel feiticeira!

Há gênios que construíram grandes empresas
Mas, que maltratam os seus empregados
Fazendo dos oprimidos tristes presas
Que não deixam seus valores aos lados!

Falsos gênios pensam que são superiores
E não o mínimo de empatia pelas dores
Das pessoas que vivem com humildade
Devemos ter cuidado com gênios, isto é verdade.
Luciana do Rocio Mallon





Um Homem Arrancou Mudas de Ipê

Um Homem Arrancou Mudas de Ipê

Um homem arrancou mudas de ipê
Fazendo vandalismo no maior fuzuê
Por uma deserta, quieta e tímida rua
Mas, ele foi flagrado pela luz da Lua

E pelas discretas câmeras de segurança
Que colocam a justiça na balança!
Um homem que arranca uma planta
Não possui uma mão santa
                                                 
Pois, foi criado livre como folha ao relento
Sem nenhum tipo de disciplina e sentimento
Quem é criado de um jeito permissivo
Não absorve a sabedoria do adubo ativo

Então não cria seguras e fortes raízes
Nem cheira as flores com várias matizes!
Assim, não consegue escolher fieis companheiras
Pois, só freqüenta baladas viciadas e traiçoeiras!

Num homem assim nascem galhos na cachola,
Deixando ele com raiva de árvores a toda a hora!
Um homem arrancou mudas de ipê
Num vandalismo com o maior fuzuê!

 As plantas eram mudas não tiveram como se defender
Mas, o Cartola disse que as plantas não sabem falar
Porém, exalam um perfume ao entardecer
Numa fina linguagem que se espalha ao ar!

O homem que arrancou os ipês não sabe o poder
Que esta árvore tem ao amanhecer!
Um frondoso ipê branco
Deixa o espírito franco!

Um alegre e desinibido ipê amarelo
Abriga a princesa sem castelo
Um meigo ipê lilás
Exala perfume de paz!

Um homem arrancou mudas de ipê
Fazendo vandalismo no maior fuzuê.
Luciana do Rocio Mallon´








sábado, 2 de novembro de 2013

Lenda da Freira Que Salvava as Crianças do Holocausto

Lenda da Freira Que Salvava Crianças do Campo de Concentração
                   
Na minha juventude tive o privilégio de trabalhar na loja de um senhor muito simpático, de origem judaica, na cidade de Curitiba.
Logo, na minha primeira semana de trabalho, notei que o dono da loja tinha uns números tatuados no braço. Então, comentei com a gerente:
- Poxa, o proprietário deve ser moderno, pois usa tatuagem.
Mas, a gerente me explicou:
- Não, isto não é tatuagem.  Este senhor tem esta marca porque ficou preso num campo de concentração quando era criança. Portanto, foram os nazistas que carimbaram a pele dele. Porém, dizem que ele foi salvo, com outras crianças, por uma freira que tirava os pequenos dos campos de concentração e colocava os pobres em vários navios.
Então, toda a vez que via meu patrão conversando com algum amigo ou freguês, eu ficava com o ouvido em pé para escutar algo sobre esta irmã de caridade, que foi uma verdadeira heroína.
Um certo dia, eu estava atendendo as freguesas no crediário  e como o movimento estava baixo, comecei a conversar com uma cliente e amiga de longa data do proprietário da loja. Conversa vai e papo vem, esta senhora contou um pouco da lenda da freira que salvava as crianças dos campos de concentração:
Na polônia havia uma freira apelidada de anjo com véu. Esta irmã de caridade era muito religiosa e dizem que antes mesmo de estourar a Segunda Guerra Mundial, ela fazia trabalhos com curas e libertava as crianças que eram vítimas de abusos e maus-tratos. Reza a lenda que esta freira tinha o poder de se auto projetar,ou, seja estar em dois lugares ao mesmo tempo, através de um fenômeno que é estudado hoje com o nome de dopellganger.
 Esta irmã de caridade gostava de repetir, aquela famosa frase de Jesus Cristo:
“ –Vinde a mim as criancinhas porque delas é Reino de Deus.”
Quando a guerra chegou e ela soube que havia pequenos nos campos de concentração, logo a freira pensou em um jeito de libertar estas crianças. O problema é que ela tinha um irmão que era soldado nazista. Porém, esta irmã de caridade refletiu:
- Eu poderia aproveitar o meu dom da projeção e  o infeliz fato de possuir um irmão nazista para retirar as crianças dos campos de concentração.
Então, a freira usou a seguinte técnica:
- Ela  projetava sua própria imagem para tentar tirar os guardas do foco e o seu corpo real entrava dentro do campo de concentração onde estavam as crianças. Então, a irmã fazia de tudo para esconder os pequenos e retirá-los de lá: escondia os menores debaixo de sua saia enorme, cavava túneis que dava para o lado de fora, etc.
Dois menininhos que a freira conseguiu esconder debaixo das suas saias, ela achou um jeito de colocá-los num navio, de origem duvidosa, que iria ao Brasil. Estas crianças cresceram e inauguraram, no Paraná, uma loja que durou de 1958 a 2010.
Reza a lenda que, até hoje, o espírito da freira aparece naquele antigo campo de concentração em busca de crianças para salvar.
Nunca se sabe se um causo é real ou não. Mas, de uma coisa tenho certeza: esta irmã de caridade foi uma verdadeira heroína e exemplo para toda a humanidade.
Luciana do Rocio Mallon

                                                                                          
                                                         




Lenda da Antiga Fábrica de Fitas de Curitiba

Lenda da Antiga Fábrica de Fitas de Curitiba

No final do século dezenove, uma caravana de ciganos chegou a Curitiba. Dentre eles havia a cigana Lyanka, que gostava de fabricar fitas e artesanatos com elas.
Uma vez, um caixeiro viajante visitou o acampamento e Lyanka apaixonou-se por ele. Porém, um mês depois, esta cigana descobriu que estava grávida e por isto foi expulsa do seu grupo.
Logo, ela conseguiu emprego como empregada doméstica, na casa de um casal de idosos. Mas, esta moça resolveu disfarçar a barriga de gestante com espartilhos apertados. Na hora de ter o bebê, Lyanka fugiu para a floresta com a intenção de que ninguém descobrisse o seu segredo.  Lá, ela conseguiu ter uma filha sozinha, porém, como estava muito fraca, faleceu  no meio do mato mesmo.
Alguns minutos depois, uma senhora que estava passando viu a cena, tocou no pescoço da moça, notou que ela estava morta e pegou a criança para si, toda sorridente.
Deste jeito, a mulher chegou, em sua residência, com este bebê nos braços e exclamou ao marido:
- Geraldo, veja o que eu achei no mato!       
O homem olhou para a criança e indagou:
- Você roubou um neném, Albertina?
A mulher mentiu:            
- Eu não roubei, eu achei. Pois, é como diz aquele velho ditado: ”achado não é roubado, quem perdeu deveria ter mais cuidado.”
O homem, desconfiado, perguntou:    
- Tem certeza disto, esposa?
A senhora comentou:           
- Sim.
- Agora, podemos realizar o nosso sonho de ter uma filha e ela se chamará Maria.
Desde criança, esta menina, demonstrou gostar de fitas e de fazer artesanatos com este tipo de material. Além de ser muito religiosa. Por causa disto, ela recebeu o apelido de Maria das Fitas. Seu maior sonho era aprender música e dança. Mesmo assim, esta menina dançava uma espécie de balé cigano pela casa e aos doze anos de idade ganhou seu primeiro violão. Sem falar que ela tentava aprender línguas estrangeiras através de revistas importadas velhas que Albertina ganhava de sua patroa.
Como os pais adotivos de Maria eram pobres, aos treze anos, esta menina precisou arrumar emprego. Por isto, um dia, ela saiu por Curitiba com o objetivo de preencher fichas de solicitação de serviço nas firmas, já que não queria trabalhar como empregada doméstica. Esta adolescente andou muito, a procura de emprego, até que chegou a Rua Ubaldino do Amaral e avistou um casarão onde estava escrito:
Fábrica de Fitas
Deste jeito, os olhos da garota brilharam. Porém, seu coração disparou de verdade, quando viu que na porta estava escrito:
Temos Vagas
No mesmo instante, a jovem entrou no estabelecimento e perguntou à secretária se ela poderia se candidatar a um dos cargos. Esta recepcionista disse que sim e deu uma ficha para Maria preencher. Assim, que a adolescente colocou seus dados no papel, a secretária levou o documento até a sala da administração e poucos minutos depois o gerente fez uma entrevista com a donzela, que foi contrata como auxiliar de produção.
Logo Maria se destacou entre as operárias por causa do seu esforço e dedicação.
Empolgada com o novo emprego esta garota passou a usar fitas com mensagens de paz bordadas em seu pulso. Então, sempre quando alguém estava triste, Maria dava uma fita com a cor e frases apropriadas para a ocasião. Deste jeito, a pessoa voltava a sorrir.
Naquele ano, a fábrica teve a festa de Natal mais animada de todas porque  Maria bailou a famosa Dança Cigana das Fitas.
 O problema é que dentro do ambiente de trabalho, existia um outro operário que ninguém gostava por ser arrogante e fazer piadas machistas com as colegas. O apelido deste sujeito era Canecão e ele passou a perseguir Maria com suas investidas e piadas de mau gosto.
Um certo dia, Maria resolveu usar o banheiro dos fundos onde era escuro e isolado, pois havia uma fila enorme no toalete mais movimentado. Porém, Canecão resolveu seguir a moça. No mesmo minuto que Maria penetrou no toalete, o rapaz correu, entrou junto e trancou a porta. Desta maneira, ele tentou agarrar a pobre, que resistiu e exclamou a frase:
- Antes morrer do que pecar!
Deste jeito, Canecão bateu a cabeça da jovem contra a parede, que morreu no mesmo instante. Após isto, o assassino fugiu.
Todos ficaram comovidos no velório de Maria, que foi enterrada com o caixão enfeitado de fitas e com roupas coloridas como as das ciganas.
Reza a lenda que dez anos depois, Jamile, uma outra operária, se trancou no banheiro dos fundos e começou a chorar. De repente, apareceu uma moça que perguntou-lhe:
- Por que você está chorando?
Jamile respondeu:
- É porque meu filho está com meningite, no hospital, e acho que de hoje ele não passa.
A donzela comentou:
- Eu vou rezar pelo seu filho.
- No meu pulso, há várias fitas com orações bordadas. Então, vou lhe dar esta fita amarela, que é a cor que simboliza a saúde, e nela há um trecho do Salmo 23: “O senhor é meu pastor e nada me faltará.”
Jamile agradeceu, depois do expediente foi até o hospital e quando chegou ao quarto viu que seu filho estava, milagrosamente, curado.
No dia seguinte, ela perguntou a dona Ana, que era responsável pela limpeza:
- A senhora, que já trabalha há muitos anos aqui, por acaso, sabe o nome daquela funcionária que parece uma cigana, veste roupas coloridas e tem o pulso cheio de fitas com orações?
A zeladora respondeu:
- A vinte anos atrás havia uma operária com estas características, mas ela foi assassinada por um tarado no banheiro dos fundos. Reza a lenda que o fantasma dela aparece para ajudar a quem precisa.
- Por favor, me siga até a administração que lhe mostrarei o álbum de fotos dos antigos funcionários.
Então, Ana abriu uma página do álbum, apontou para uma moça da foto e indagou para Jamile:
- Por acaso, a jovem era esta da fotografia?
A operária respondeu emocionada:
- Sim.
Em 1980, esta fábrica foi desativada e dentro dela foi inaugurado um tipo de centro cultural com escolas de idiomas, centro de exposições e academia de ginástica.
Reza a lenda que em 2013, Patrícia, uma aluna de um curso de idiomas estava chorando no toalete dos fundos. Então, uma moça com roupas ciganas e os braços cheios de fitas perguntou-lhe:
- O que houve?
A estudante respondeu:
- Meu cachorrinho de estimação desapareceu a uma semana.
A jovem comentou:
- Eu rezarei para que seu animalzinho volte hoje mesmo para a casa.
- Também quero lhe dar de presente uma das fitas, com mensagens bordadas, que tenho em meu pulso. Bem, lhe darei a verde que significa esperança e nela está escrito: “Na casa do senhor há várias moradas.”
- Sabe, reza a lenda que quando um bicho de estimação sai de casa é porque ele foi passear no céu.
- Quem sabe não foi isto que aconteceu, né?!
Assim, a donzela desconhecida colocou a fita no pulso de Patrícia, que parou dois segundos para admirar o seu novo presente. Mas, quando olhou para o lado, notou que a moça desapareceu.
Ao chegar a sua residência, Patrícia abriu o computador e entrou na Internet. Naquele mesmo instante ela escutou latidos, abriu a porta e viu que seu cachorro tinha retornado ao lar. Os dois foram para a sala e a estudante sentou-se em frente ao computador novamente. Porém, o cão pulou em seu colo, bateu sem querer numa tecla e na tela surgiu um site com o título da seguinte notícia:
“Cigana da Antiga Fábrica de Fitas Virou Lenda”
Luciana do Rocio Mallon