domingo, 27 de setembro de 2015

Poema Para Touro Rompesuelas

Poema Para Touro Rompesuelas

Rompesuelas era um touro escuro
Como uma linda noite de inverno sem Lua
Porém, de um jeito duro e obscuro
Foi sacrificado e torturado em plena rua

Numa festa chamada “ Toro de La Ve ga “,
Onde a crueldade não se nega,
O pobre Rompesuelas foi escolhido
Para ser morto, perseguido e ferido!

Ele correu como uma assustada criança
Fugindo de homens maus com lança!

Seu sangue sagrado escorreu pela cidade
E, com uma lança no pescoço, foi morto de verdade!
Agora, eu me pergunto onde está a humanidade
Que pensa que fazer festa é praticar maldade?

Hoje, Rompesuelas é uma estrela que brilha
Por toda a cidade de Tordesilhas
Pois ele sempre possuiu uma alma que vale ouro
Por isto se juntou à constelação de touro

Para onde vão todos os bovinos
Sacrificados com desatinos!
Rompesuelas virou um símbolo contra a tortura
Pois apesar da morte, seu brilho ainda perdura
Seus chifres viraram uma torre de marfim
Pois a esperança contra a dor não tem fim!

Seu sangue virou um sagrado rubi
Com aroma mágico de patchuli!
Até quando o homem vai matar por prazer?
Estrelas avisam que isto não pode mais acontecer

Rompeseuelas rompe o solo e mais de mil sacrifícios
Contra bovinos nas touradas e nos frigoríficos.
Luciana do Rocio Mallon




sábado, 26 de setembro de 2015

Todos Nós Somos Famílias

Todos Nós Somos Famílias

Todos nós somos uma família
Numa constelação que brilha
No céu azul do firmamento
Repleto de emoção e sentimento

Um amoroso casal homoafetivo
Com um grato filho adotivo
Também formam uma família
Que não é uma isolada ilha

Uma mãe-solteira com sua filha
Também formam uma família
Porque esta moça é uma guerreira
Pois cria a filha só à vida inteira!

Um bicho de estimação com sua dona
Também formam uma família bela
Quando a moça, o animal, não abandona
Porque tem a alma virgem de donzela!

A sociedade não deve dar as costas
Para as doces famílias recompostas
Formadas por um segundo casamento
Porque nelas há um grande sentimento!

Todos nós somos uma família
Numa constelação que brilha
Na noite escura com esplendor
Pois, o que importa é o amor.
Luciana do Rocio Mallon




Ele Só Quer Alguém Que Dê Bom Dia no Dia Seguinte

Ele Só Quer Alguém Que Dê Bom Dia no Dia Seguinte

Ele só quer alguém que lhe dê “- Bom Dia”
Depois de uma balada glamorosa!
Com uma pitada doce de simpatia
Junto com uma massagem sedosa

Porém isto não é a realidade
Pois depois do gozo proibido
A dama vai embora de verdade
Sem oferecer um abraço amigo!

Quando a moça decide permanecer até a manhã
Ela coloca, rapidamente, a roupa sem se despedir
Deixando, no leito, um perfume de hortelã
Mas para a solidão, de quem fica, não há elixir!

Ele só quer alguém que lhe dê “- Bom Dia”
Depois de uma balada glamorosa!
Com uma pitada doce de simpatia
Junto com uma massagem sedosa

Depois de uma noite selvagem
Ele se sente um objeto sem valor
Que se perdeu numa linda paisagem
Sendo quebrado em pedaços cheios de dor.
Luciana do Rocio Mallon


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Desnudo, com um Buquê de Flores nas Mãos

Desnudo, com um Buquê de Flores nas Mãos
                                      
Todo o começo de primavera
De um jeito doce, sempre me lembro
Do presente de uma quimera
Naquele vinte e três de setembro

A campainha tocou diferente
Como um musical instrumento
Senti um arrepio ardente
Repleto de sentimento

Quando abri a pesada porta
Tive uma doce surpresa
No começo fiquei torta
Depois me senti princesa

Você estava todo desnudo
Mas tinha um buquê de flores
Que, embaixo, tapava tudo
Na promessa de mil amores

Quando a flor tem perfume
A magia sempre vem da raiz
O aroma tira todo o azedume
Para fazer qualquer ser feliz

Daquela primavera nunca mais me esquecerei
Um homem com flores sempre será um rei.
Luciana do Rocio Mallon






segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Lenda da Cigana Rosa dos Ventos

Lenda da Cigana Rosa dos Ventos
Por volta do ano 250 a. c. existia um navegador chamado Aristóteles Timóstenes. Um certo dia ele decidiu navegar com o seu barco. Mas, de repente, foi surpreendido por uma forte tempestade e, no meio da confusão, sua bússola simples, feita de pedras especiais, quebrou. No meio daquela chuvarada, ele percebeu que uma moça se afogava no mar. Então, jogou uma espécie de boia feita de bexigas de animais, que estava amarrada a uma corda, em direção da jovem. Assim ela chegou até seu barco e lhe agradeceu:
- Obrigada, senhor!                                             
O homem disse:                              
- Disponha!                         
- Porém não sei se conseguirei achar terra firme, depois que esta tempestade passar, porque meu aparelho guiador quebrou.
Naquele mesmo instante, a chuva parou e o Sol voltou a brilhar.
Desta forma a moça explicou:
- Sou a cigana Rosa dos Ventos e posso construir uma bússola nova para você. Basta eu sapatear, em forma de círculo e formar uma estrela com as batidas dos meus pés no chão do seu barco.
Desta maneira, a donzela bailou os passos prometidos e formou uma flor, que acabou virando uma bússola diferente que mostrava todos os pontos cardeais porque apontava a direção dos quatro sentidos fundamentais de orientação geográfica e representava uma volta completa do horizonte, com seus pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste; pontos colaterais: nordeste, noroeste, sudeste e sudoeste; e pontos subcolaterais: nor-nordeste, lés-nordeste, lés-sudeste, su-sudeste, su-sudoeste, oés-sudoeste, oés-noroeste e nor-noroeste.
Assim os dois chegaram a uma ilha. Mas a cigana faleceu na floresta deste lugar e nasceu uma flor debaixo do solo onde se corpo foi enterrado. O problema é que seu amigo, navegador, não conseguiu divulgar tão bem o novo modelo de bússola.
Alguns séculos depois, Rosa dos Ventos apareceu nos sonhos noturnos de um outro inventor, chamado Flávio Gioia, onde ela ensinou este homem a fazer uma nova bússola, com seu nome, por meio de uma agulha sobre um cartão onde havia uma flor desenhada. A partir daquela noite, este tipo de instrumento tornou-se popular.
Reza a lenda que a cigana Rosa dos Ventos é uma entidade que ajuda as pessoas que estão perdidas, precisando de uma direção. Ela, também, auxilia seres que se perdem em lugares ermos e não conseguem mais voltar a seus locais de origem.
Luciana do Rocio Mallon







Um Sábado, Quatro Dias Antes da Primavera

Um Sábado, Quatro Dias Antes da Primavera
No último sábado, dia dezenove de setembro, levantei cedo, pois precisava fazer uma grande faxina na casa porque receberia visitas no domingo, devido ao aniversário da minha mãe. Na frente do meu muro há uma pequena quantidade de areia, que não foi aproveitada na última reforma. Mas sempre que observo minha rua vejo que animais deixam suas necessidades fisiológicas nesta areia. Então, neste sábado, quando fui esfregar a calçada, vi exatamente bichos fazendo isto. De repente, no meio desta minha faxina, uma idosa bateu palmas em frente ao portão da minha residência e perguntou:
- Posso pegar um pouco, desta sua areia, para as plantas do meu jardim?
Eu respondi:
- Sim, fique à vontade. Porém, cachorros, gatos e pássaros fazem suas necessidades fisiológicas nela. Agora mesmo um cão, que estava passeando com sua dona, deixou fezes nesta areia.
A anciã explicou:
- Isto é ótimo!
- Pois, é sinal de que a areia já vem adubada.
Depois de alguns minutos, esta senhora veio com um balde florido e colocou um pouco de areia nele com a ajuda de uma pazinha de plástico infantil. Porém um cocô de cachorro, que estava muito vistoso, entrou junto sem nenhum problema por parte da velhinha.
Logo pensei:
- Eu sei que excrementos de animais servem como adubo. Mas o acontecimento de hoje me fez lembrar que minha avó disse que, uma semana antes da primavera, ocorre a magia das pessoas pensarem que até fezes viram flores, de acordo com uma lenda europeia.
Luciana do Rocio Mallon




Lenda da Procissão dos Mortos

Lenda da Procissão dos Mortos
Aqui, no Brasil, um conto oral que mais se aproxima da tradição do Halloween é a Lenda da Procissão dos Mortos, que possui várias versões, dentre elas a mais conhecida é esta:
Na época do Brasil-Colônia existia uma vila no interior do Nordeste, onde moravam muitos descendentes de irlandeses, que logo se misturaram com afrodescendentes, índios e descendentes de portugueses que estavam antes aqui.
Neste tempo, havia uma menina chamada Beatriz que sabendo do novo casamento de sua mãe, fugiu para a floresta bem no dia 31 de outubro. Então ela achou uma estrada secreta e escutou um barulho ao longe. Com medo de ser reconhecida, a garota se escondeu atrás de uma moita. Logo apareceu uma procissão. Mas ela notou que a maioria dos integrantes eram criaturas já falecidas como seu pai, sua avó e até o seu bichinho de estimação. Deste jeito, ela correu para perto de sua falecida vovó, que disse baixinho:
- Volte logo para a casa, pois esta é a procissão dos falecidos, que somente acontece dia 31 de outubro. Pois nesta data abre-se um portal para que os mortos voltem à Terra e, deste jeito, eles tem uma chance de sair do purgatório e esta procissão é uma destas chances. Se orarmos, com fé, durante este desfile, conseguiremos sair dos vales das sombras.
Desta forma, Beatriz obedeceu à anciã. Porém, depois ela descobriu que outros vivos da vila já passaram por experiência semelhante, sempre na mesma data: 31 de outubro.
Luciana do Rocio Mallon